O título deste artigo daria um sugestivo roteiro de filme. Talvez noire! Daqueles que geram um suspense mórbido do início ao final. Ou então esses outros que nos obrigam a mastigar aquelas coisas pegajosas durante todo o tempo ou a comer compulsivamente as pipocas coloridas, já inventadas para tal fim. Em suma, um filme indigesto e não recomendável para espectadores facilmente influenciáveis.
Depois de uma novela que se arrastou por meses a fio, em que os personagens se substituíam progressivamente, como se o peso do papel devesse ser partilhado, chegamos ao final, pelo menos desta série. Outras prometem em Brasília. Aliás, voltando à comparação do parágrafo anterior, a deixa para o ‘‘II’’ já foi dada no epílogo deste. É só aguardarmos como bons e passivos espectadores, que mais está para chegar, prometendo audiências nunca vistas.
A lista que foi publicada num jornal on line do Rio é no mínimo indigesta. Se for verdadeira, é terrivelmente escandalosa e provocante. Confesso que me senti traído, ludibriado e chantageado uma vez que cheguei a me emocionar com palavras de cretinos (as) que vociferaram contra o ACM, quando este insinuou sobre nomes que teriam votado a favor da manutenção do mandato de Luiz Estevão.
Fiquei revoltado ao perceber (mais uma vez) o quanto a classe política dominante nos subestima e nos agride em nossa dignidade, constantemente. Senado, ao que você chegou! Por de trás de um botão eletrônico, vulgo ‘‘voto secreto’’, esconderam-se aqueles que com belíssimos discursos nos brindavam e nos consolavam num imaginário progresso democrático de caça aos corruptos e limpeza nacional. Ali estávamos nós nos maravilhando com a coragem e discernimento de nossos representantes, que não obstante a pressão ‘‘brasiliesca’’ estavam do lado do povo. Como somos trouxas! Ou melhor, como nos tentam reduzir à nossa insignificância!
A lista que foi prometida e que tirou o sono de tanta gente, é o reflexo melhor acabado da política brasileira. Poderes instituídos tremeram perante ela. Homens de terno e colarinho branco ironizaram-na, acobertados pela certeza da impossibilidade técnica de seu aparecimento. E ela existia!... Existia no imaginário de tantos comprometidos e existia na confirmada inconsistência e insegurança de qualquer sistema atual, por mais perfeito que seja. Ela incomodava e velhacamente ameaçava. E nós brasileiros torcíamos para que ela um dia fosse revelada.
Afinal nos assistia o direito de sabermos, quem depois das provas contra o senador corrupto do TRE de São Paulo, ainda insistia em estar ao seu lado e a favor da impunidade, melhor retrato da política brasileira até ao momento. E ali estavam os nomes. Alguns nossos velhos conhecidos, outros dos quais pouco se poderia esperar e finalmente o ultraje maior – senadores que nos fizeram crer do contrário e se escondiam covardemente atrás do voto secreto. Que pena! Que miséria, maior do que a situação social de 40 milhões de cidadãos brasileiros.
Com o discurso irrelevante para o país do (espera-se) último dinossauro da politicagem brasileira, continuamos crédulos de que pouca coisa mudou no Senado. De fato os ilustres representantes da Nação são o reflexo de um sistema que, teimando em não mudar, continuará gerando páreos do mesmo calibre dos que agora voltam a seus Estados de origem. Aliás, não nos surpreende a petulância de ACM em prometer galgar degraus mais elevados no cenário nacional. Embora acreditemos que a Bahia não é mais a mesma, infelizmente não posso deixar de antever um cenário triste em que o cardeal da política dos acarajés volte a Brasília em grande classe!
Defendo a mesma tese de sempre: a educação de nossa gente será a única arma contra listas constrangedoras. Brasília não pode ser lugar de trânsito de pessoas sem escrúpulos, que ludibriem o povo brasileiro e afetem o funcionamento de um Estado de Direito Democrático, haja visto que o País praticamente parou à sombra das atrocidades do Senado.
Quando, como tem repetido a CNBB, ninguém tiver medo de ser investigado e for transparente em suas atividades políticas, então a democracia será uma realidade irrefutável em nosso verde e amarelo pedaço, e os racionamentos de energia servirão apenas para o que nossa gente sacou muito antes que o governo fizesse algo – trabalhar e lutar por um Brasil melhor. Isso o povo sabe fazê-lo espetacularmente. E quanto a listas... quem não deve não teme!
- PADRE MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é pároco da Paróquia Imaculada Conceição e Integrante do Movimento pela Moralização na Administração de Londrina

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