Já se passaram três meses após o desastroso incêndio do Teatro Ouro Verde, e pouca coisa foi feita para sua reconstrução. Mas a morosidade é totalmente justificável, afinal, era imprescindível que, após a perícia, fosse feito um levantamento apurado sobre o que restou desse importante patrimônio histórico de Londrina, tombado pelo Estado.
O problema é que, diante do Festival Internacional de Teatro e do Festival de Música com suas grades de programação prejudicadas, e da perspectiva de até o final do ano estarmos apenas com os projetos de reconstrução prontos, a pressa pelo retorno do principal palco da cidade é grande.
Mas, como bem observa a diretora da Casa de Cultura da UEL, Magali Kleber, não há cronograma atrasado ou adiantado. O que há é uma tragédia nunca antes vivida na cidade, e a possibilidade de aprendizado com esse episódio. Magali está corretíssima em defender que este é principalmente um momento de reflexão.
Ao invés de exigir celeridade no processo de reconstrução, produtores culturais e a sociedade em geral precisam primeiro ajudar a definir como deve ser essa reconstrução. O Ouro Verde foi pensado como cinema, mas reconstruí-lo apenas com essa função original em um momento em que os cinemas de rua estão praticamente extintos por falta de público não parece ser a melhor saída. Mas torná-lo apenas teatro, sem projetor, também pode não ser suficiente para uma cidade que tem uma crescente produção cinematográfica. E, para transformar o lugar em um espaço multimídia, será que não seria preciso modificar demais a concepção original?
Que Ouro Verde queremos deixar para ser usufruído daqui a 60 anos? E por quê? Diante da oportunidade de reconstruir um belo prédio histórico, que vai demandar milhões de reais em investimento, é preciso pensar não apenas em um palco para os festivais dos próximos anos, mas sim em um patrimônio que continue sendo fundamental para a formação cultural das próximas gerações. Porque, acima de tudo, essa sempre foi a principal função do nosso querido Ouro Verde.

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