Ninguém pode ficar despreocupado com a situação política de seu país. A participação nas eleições, além de ser um direito, é também um dever cívico do cidadão. O ato de participar ativamente retrata a evolução da democracia, da cidadania e do patriotismo.
É bom que isso aconteça num momento de liberdade, em que podem florescer os ditames da consciência e em que cada um é livre para escolher; pois só a liberdade pode edificar plenamente um grande país. Ninguém pode curvar-se diante de imposições retrógradas, ou submeter-se às atitudes de grupos manipuladores que lembram o desusado coronelismo.
A religião não é um partido político, e, por isso, não tem direito ou poderes para fechar questão em prol de um ou de outro candidato, em nome da igreja. Ela não tem isonomia de comando sobre o comportamento político do seu rebanho. Uma convenção religiosa, numa igreja, para tratar de assuntos políticos, deveria, pelo menos, respeitar as diferentes ideologias dos companheiros dessa igreja, os quais a mantêm financeiramente, e, por isso, tem o dever de respeitá-los.
O tratamento político unilateral de uma agremiação religiosa, além de ferir com violência a consciência de uma parte dos seus membros, vai também, com certeza, provocar ruptura no estatuto da entidade. O ideal, para essas instituições religiosas, é a neutralidade. Mesmo porque, no Brasil, não há nenhuma relação entre a religião e o estado. Todavia, nada impede a orientação no sentido de pedir a seus membros que façam uma reflexão e que busquem ajuda divina para fazem uma boa escolha.
A igreja deve praticar ação de incluir e não de excluir; deve aglutinar e não dispersar. Se ela tem o poder da fé para unir, e se isto é possível, então por que fazer política partidária para dissipar?
Nenhum religioso de nenhuma denominação evangélica deve, obrigatoriamente, votar em um candidato a presidente da república, só porque um dos aliados é derrotado no primeiro turno, e presidiu uma convenção para apoiá-lo. Pode ser que os convencionais religiosos agiram sobre influência do inconformismo da derrota. Da mesma maneira, devem proceder outros grupos de religiosos quando alguém, vitorioso, nas urnas, declarou apoio ao outro candidato. Pode ser que a euforia da vitória tenha influenciado nessa escolha. Na verdade, esses apoios de igrejas são muitas vezes, de interesses particulares. Não nos referimos ao ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, sua campanha e apoio sempre pautaram em partidos políticos.
O cristão deve usar a força libertadora do evangelho e da plena democracia para libertar-se das opressões político-religiosas e, assim, serenamente, fazer sua escolha (Serra ou Lula.) Ambos são cristãos. O jornal nacional do dia 12/10, Dia da Criança, em reportagem sobre ''o dia dos candidatos'', fez uma amostragem disso.
Sempre que os homens de Deus se envolvem, interesseiramente, em coisas terrenas, eles ficam vulneráveis às influências terrenas. Nesse caso, não devemos acompanhá-los. Ou, se quisermos segui-los, o faremos livremente, de acordo com nossa consciência.
A Igreja tem o direito de participar de numa campanha eleitoral, com orientação e esclarecimento. O que não se pode admitir é o uso do templo da fé que é de todos, em benefício de um só candidato. Isso aborrece os irmãos correligionários do outro candidato. Essa atitude antidemocrática desrespeita as leis eleitorais, traz descontentamento e caracteriza abuso do poder.
NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é evangélico e professor em Londrina

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