Um vendedor de frutas foi recentemente preso em Londrina por funcionários do órgão municipal responsável pela fiscalização do comércio de ambulantes no centro da cidade. A ação desencadeou reação e populares sentiram-se ofendidos com a atitude desses funcionários, quando viram o vendedor transportado de camburão da Polícia Militar até a delegacia de polícia.
Nenhum exagero dos homens da PM, que responderam a um chamado do órgão fiscalizador, cujos funcionários, provavelmente, cumpriam suas funções e num momento de desacato recorreram à polícia. E o vendedor de frutas? Um trabalhador, vítima do desemprego, que não teve outra alternativa senão vender goiabas, fora dos limites da legislação vigente. Ambulante, ele não pode permanecer num ponto com seu carrinho de mão. Agiu, portanto, errado. E foi pego pela fiscalização, que jogou duro, talvez com mais rigor do que o bom senso permitisse.
Porque o vendedor, ilegal, tem que ser legalizado. Mas sozinho numa esquina do centro de Londrina ele não teve força para pressionar e não encontrou apoio nos representantes do povo, instalados no legislativo. Ao contrário do pessoal que ocupou, por meses e meses, calçadas e ruas de direito dos pedestres e motoristas para vender produtos de origem duvidosa. Em grupo, estes conseguiram quase tudo o que queriam. E jamais foram molestados, nos últimos tempos, por fiscais do município. Também se desconhece terem sido notificados pelo fisco estadual e federal. É fácil pisar em casca de ovo, tanto quanto mostrar que atola os pés num passo firme e decidido. Principalmente quando o corretivo é contra apenas um vendedor de goiaba, que merecia a reprimenda, da mesma forma como tantos outros que andam merecendo mas se impõem desafiando a lei.
Walter Ogama

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