A lei é boa? Então precisamos mudá-la
Estão querendo avacalhar uma lei boa. Exatamente dez anos depois da sanção da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o Senado aprovou ontem projeto que flexibiliza sua aplicação, permitindo que Estados e também o Distrito Federal possam obter empréstimos da União ou de organismos internacionais mesmo que estejam no limite do endividamento permitido pela lei. A notícia da Folhapress, em resumo é esta: Senado aprova projeto que facilita empréstimos para Estados inadimplentes.
Antes da LRF, homologada dez anos atrás, havia uma farra nos municípios como contratações irregulares, por exemplo. A lei é exemplar. A LRF institui um regime disciplinar para os gastos públicos, com mecanismos de controle do endividamento e da despesa, além de normas coercitivas e de correção de desvios do administrador público. A lei determina que o máximo que o Executivo pode gastar com pessoal é 49% do que o Estado arrecada. Quem não cumprir a lei fica proibido de receber transferências voluntárias da União e de obter empréstimos. Levantamento feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), aponta ainda que o endividamento dos municípios caiu de 8,04% das receitas em 2002 para 0,81% em 2008.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, definiu bem o que a LRF representa. Em entrevista à Agência Estado, ele diz: a lei foi o primeiro passo rumo à sustentabilidade das contas públicas, mas é preciso que demais políticas caminhem na mesma direção, afirmou. (Ao que se poderia acrescentar: inclusive o governo federal, um contumaz gastador).
Mas Mantega tem um entendimento correto sobre a LRF. Segundo ele, depois da lei, houve uma redução do deficit público e da dívida pública em função do limite de gastos e endividamento imposto pela legislação. Ele, no entanto, destacou que a LRF é necessária, mas não é suficiente para garantir contas públicas sólidas.
Quem tenta desmontar a LRF é o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), com a sua proposta de flexibilização. Ele acha que não faz sentido que um governo que pouco arrecada, tem excesso de gasto com pessoal ou possui dívidas deixe de receber apoio financeiro para investir em ações que o levariam a melhorar a receita e a controlar gastos. Ele diz que a mudança apenas permitirá que o Estado que está no limite de endividamento autorizado pela LRF busque financiamento para melhorar sua gestão. Isto não cola. Alterar a lei é abrir caminho para a gastança.





