A Lava Jato e o PT
A prisão do ex-ministro José Dirceu, ontem de manhã em Brasília, recoloca o Partido dos Trabalhadores em posição de destaque na Operação Lava Jato. Em curso há quase um ano e meio e em sua 17ª fase, as apurações comandadas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal (PF) conseguiram desbaratar um engenhoso esquema montado para sangrar os cofres da Petrobras, a maior empresa estatal brasileira. Até agora, foram parar nas carceragens da PF em Curitiba dezenas de políticas, empresários e diretores das maiores empreiteiras do País.
As investigações apontam para desvios superiores a R$ 1 bilhão, utilizados para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas. Desde o início o PT sempre esteve no centro das apurações, mas nos últimos dias o foco havia se desviado a partir do surgimento de outros nomes, como o do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Agora a grande questão que deve ser respondida é quando as investigações chegarão ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e à presidente Dilma Rousseff (PT).
Por enquanto a campanha de Dilma foi citada, mas não a pessoa da presidente. Algo difícil de imaginar, já que antes de assumir o posto máximo do Executivo nacional, Dilma foi ministra das Minas e Energia e da Casa Civil durante o governo Lula e presidente do Conselho de Administração da Petrobras. É importante que as investigações prossigam e que cheguem aos "cabeças", que devem ser responsabilizados. A tese de "perseguição política", alegada pelos militantes petistas, deve ser rejeitada veemente pela população.
Apesar disso, é importante que a agenda nacional prossiga. É preciso criar ações positivas para evitar a contaminação do empresariado e da população e impedir que o pessimismo avance. Tanto a produção como o consumo têm que avançar. A criação de uma agenda positiva deve ocorrer, apesar do cenário atual.





