Não está afastada a possibilidade de cair por terra a vitória antipedágio da praça de Jacarezinho, tão festejada pelos usuários de veículos e pelos habitantes daquele município do Norte Pioneiro. Porque até hoje as concessionárias do pedágio no Paraná obtiveram ganho de causa, em instância final, em todas as ações movidas contra elas, marcadamente pelo Governo do Estado. A ação agora ganha e contestada no Superior Tribunal de Justiça seria a primeira exceção a essa regra.
  Não há ainda data definida para a votação de mérito da ação mas a professora Ana Lúcia Bacon, que iniciou o movimento para suspensão da cobrança, está confiante e crê que este caso irá criar jurisprudência. O fim da cobrança aconteceu em 24 de outubro, por decisão do Tribunal Regional Federal da 4ªRegião, mas a questão vem desde 2006. Conforme funcionários do posto de fiscalização da Receita Estadual, depois da abertura das cancelas houve 40% de aumento da passagem de caminhões porque caminhoneiros abandonaram caminhos alternativos, de péssimo tráfego.
  Reportagem de ontem deste Jornal mostra que a suspensão do pedágio já trouxe, durante estas quatro semanas, benefícios econômicos para a região e especialmente para os motoristas, tanto os daquela área como os de fora. Porque o dinheiro que iria para o caixa da concessionária fica em poder deles e boa parte gira ali mesmo. Uma carreta de seis eixos economiza R$ 60 em cada passagem, só nessa praça, e isto pode significar um melhor almoço no caminho – porque restaurantes das margens das estradas também perderam com o advento das praças de pedágio. Estudantes que pagam vans para o transporte a outras localidades já tiveram redução individual de R$ 20 por mês, por conta do corte do pedágio ali. E deverá ativar-se o fluxo de visitantes de cidades vizinhas do Estado de São Paulo – porque houve substancial diminuição – e isto significará ganho para Jacarezinho e para o distrito de Marques do Reis.
  A fortuna que passa pelas praças do pedágio no Paraná é monumental, e este é um dinheiro que se desvia da atividade econômica, porque diminui o lucro dos transportadores profissionais e tange fortemente o bolso dos motoristas particulares. Os municípios no geral ganham um porcentual com a arrecadação do pedágio, por isso os prefeitos mantêm-se calados. A esperança dos usuários de Jacarezinho, agora, repousa numa decisão positiva da Justiça.

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