A justa reação dos mototaxistas contra pedágio
Não é ilegal protestar, porque cada qual defende o direito que acha justo, por isso é justificada a ação dos mototaxistas contra a cobrança dos R$ 2,60 que pagam no pedágio. A reação ocorrida em Arapongas robustece ainda mais o inconformismo de todos os usuários de veículos por ter de pagar para trafegar em rodovias que lhes pertencem, e ademais porque já pagam impostos específicos para conservá-las, com a possibilidade de acumular reservas para também duplicá-las.
Apenas 50 mototaxistas - mais ousados que os motoristas de caminhões e de outros veículos - conseguiram durante quase duas horas manter abertas as cancelas de uma das praças do pedágio e livraram da cobrança grande número de veículos. Eles repetiram a ação ontem porque não foram atendidos na reivindicação de nada pagar, até porque motos não danificam rodovias. Um ponto negativo da operação foi, em face do tumulto, haver criado algum retardo na passagem de carros.
Pelo que declarou a este Jornal um mototaxista com cinco anos de profissão, ele faz cinco corridas diárias à cidade vizinha de Rolândia, gastando R$ 4 com combustível e mais R$ 5,40 com pedágio (ida e retorno), e como não pode cobrar do passageiro mais que R$ 12, só lhe sobram R$ 2,50. Considerando mais o investimento na compra e conservação do veículo, e tendo um dia que adquirir outro, pelo intenso desgaste, ele trabalha de graça ou possivelmente ainda tem de pagar para trabalhar. A Justiça, que tem dado ganho de causa a todos os recursos das concessionárias, deve atentar para realidades como esta. São grandes os prejuízos que o pedágio trouxe para estes e tantos outros profissionais que trafegam nas rodovias pedagiadas, e também para agricultores e para restaurantes das margens das estradas (que tiveram diminuído o volume de fregueses porque nem todos que pagam pedágio podem comer). Quanto aos benefícios, estes são como gotas d'água diante dos rios de dinheiro que entram nos caixas das concessionárias.
O pedágio já completa dez anos e, ao menos uma esperada duplicação como a de Mauá a Ponta Grossa (da Estrada do Café) ainda não aconteceu. Foi o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli, líder do Governo na Assembleia Legislativa, quem disse que ''com os R$ 7 bilhões já arrecadados pelas concessionárias nesse período seria possível construir 2,5 mil quilômetros de rodovias asfaltadas''. No caso dos mototaxistas, ato do Governo Requião os havia isentado de pagar pedágio, mas a medida só durou o tempo de as concessionárias recorrerem.





