Guerreiro, chefe de Estado, político habilidoso, empresário de sucesso. Muitos têm sido os adjetivos utilizados para descrever o ex-vice-presidente José Alencar. O corpo do mineiro será cremado hoje em sua terra natal. A batalha contra o câncer foi longa, mas cheia de coragem. Foram 17 cirurgias ao longo de mais de uma década e outros incontáveis dias praticamente vivendo dentro do hospital. Anteontem a saga chegou ao fim.

O país acompanhou a batalha pessoal de Alencar como a uma novela. Uma novela em que ele era o protagonista. Nem mesmo a história envolvendo sua filha fora do casamento foi capaz de arranhar sua imagem. Sua vontade de viver se tornou inspiração para outros que passam pela mesma situação, seja na própria pele, seja na família.

No Congresso, no Executivo, em todos os cantos do País, não sobram justas homenagens. Ainda na terça-feira, a presidente Dilma Rousseff, de Portugal, decretou sete dias de luto oficial. E outros tributos devem vir por aí.

Mais do que dar nome a prédios públicos, praças, ruas, avenidas, a melhor homenagem que governos (federal, estadual e municipal) poderiam fazer seria oferecer pelo menos parte da excelência do tratamento de saúde ao qual Alencar teve acesso àqueles que travam uma batalha diária contra essa doença ardilosa, mas que precisam se render diante da baixa qualidade e da demora do sistema público de saúde.

''Tenho tido um privilégio e fico às vezes com sentimento de culpa, porque sou vice-presidente e sei que todos os brasileiros deveriam ter esse tratamento. Se tivessem, as expectativas de vida seriam outras. É triste não poder oferecer aos brasileiros o que eu recebi'', disse em fevereiro de 2009.

Reduzir, ainda que em parte, esse verdadeiro abismo seria a homenagem mais eficaz e condizente com a memória do político.

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