Os 26 anos de pontificado do Papa João Paulo II, celebrados ontem, são um marco fundamental na cruzada da Igreja Católica em favor da paz e da harmonia entre os povos. O sacerdote supremo dos cristãos católicos dos quais mais de 100 milhões no Brasil é o agente dessa jornada missionária e figura entre os iluminados seres designados pela Providência Divina para semear palavras de fé e esperança e indicar caminhos de despertamento de consciências, especialmente entre os dirigentes políticos do mundo. João Paulo transpôs as fronteiras do universo católico e converteu-se em voz respeitável entre cidadãos de todos os credos, porque durante todo o tempo que a missão lhe traçara falou ao espírito dos homens e alertou também para as necessidades temporais de milhões de deserdados das benesses do mundo. Se as dissidências ainda imperam e os conflitos entre nações não cessaram, estes males seriam certamente mais agudos sem a palavra alentadora deste homem, que nem por um instante teve dúvida e desesperança acerca de sua missão terrena. Líder espiritual mas também atento às questões temporais, colocou sua palavra e sua Igreja a serviço da evangelização e da defesa do bem-estar das pessoas, pois assim se concretizaria a vontade divina. Doente e quase impossibilitado de falar, aos 84 anos de idade e 58 de vida religiosa desde quando sagrou-se padre aos 26 anos, bispo aos 38, arcebispo aos 44, cardeal aos 47 e papa aos 58 João Paulo é um benemérito do mundo. Sua missão parece haver sido determinada justamente para o período de transição do segundo para o terceiro milênio, quando ocorreriam turbulências no planeta, previstas nas profecias. Sua voz apaziguadora e perene, que ecoa pelo mundo por quase três décadas contínuas, é um acalanto para os povos sofridos, um alerta para os insensatos, uma direção para aqueles que detém nas mãos alguma forma de poder, um rumo para os indecisos e um luminoso facho de luz que não se extingue. Se fatos de anos recentes abalaram setores de seu corpo sacerdotal, a diretriz institucional da Igreja Católica não desviou sua rota secular de evangelização, sua teologia de libertação que tem significado mais abrangente do que a priori se supõe sua opção pelos pobres e sua luta incessante pelas razões da paz. Pela sua posição de assumir o drama das ruas e de estender sua palavra a todos os cantos do mundo; pela universalização de sua política e de sua pregação desde quando João XXIII deixou atrás os portais do Vaticano e saiu em peregrinação pelo mundo, fazendo de João Paulo II um intrépido seguidor na mesma estrada a Igreja Católica Apostólica Romana conquistou maior respeito dos cidadãos do mundo, católicos e não-católicos, e impera como sólido alicerce da causa da paz e da redenção dos homens.

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