A isonomia que não existe no mensalão
Sabe aquele juiz de futebol que falha ao não aplicar uma penalidade máxima ou uma expulsão merecida? Após refletir durante intervalo do jogo, volta a campo esperando uma oportunidade para compensar o erro e, então, cometer o mesmo tratamento em relação ao time prejudicado pela omissão. Ele acha que assim procedendo terá praticado, digamos, a isonomia de tratamento. Mas aos olhos de quem vai avaliar sua atuação, na realidade, errou duas vezes.
Pois é, na política também há quem aposte na isonomia dos tratamentos punitivos. Isso não existe mas o senador Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais, que também está envolvido em crime de
mensalão, pensa que pode. Como o
mensalão do governo, três anos atrás, isentou o presidente Lula, Azeredo acha que ele também teria que ser inocentado.
O mensalão do PT e Marcos Valério teria mais elementos para caracterizar o envolvimento do Presidente Lula do que o mensalão de Minas Gerais para incriminar Azeredo. É com isso que Azeredo não se conforma.
Embora tenha sido o beneficiário maior do esquema montado, operado por Marcos Valério, Lula não foi acusado de nada.
Ao abordar o assunto na sua coluna de sábado, a jornalista Dora Kramer joga luz sobre um episódio que parecia obscuro. Por que, afinal, as acusações não chegaram ao Palácio do Planalto? Por que pouparam o Presidente?
E, na análise da jornalista, chega-se à conclusão, mais uma vez, que o Brasil não tem oposição. Se as investigações do
mensalão não chegaram ao Planalto foi porque a oposição não quis. FHC teria evitado. E a Justiça atuou em cima do resultado das investigações.
Entre fazer o certo e adotar a atitude que lhe parecia justa, os oposicionistas - PSDB à frente - ficaram com a segunda opção. Quando Duda Mendonça confessou à CPI dos Correios que tinha recebido dinheiro não contabilizado como o publicitário da campanha presidencial de 2002, as investigações da comissão poderiam ter tomado o rumo do Palácio do Planalto.
Não tomaram porque o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, abriu negociações com os caciques do PSDB, em especial com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que mandaram os rapazes da CPI recolher os flaps.





