A irresponsabilidade implícita na greve
Greve é ausência de diálogo e de entendimento. E de responsabilidade se envolve serviço essencial como o transporte coletivo urbano. A Justiça agiu com rapidez, como deveria ser num caso como esse, e colocou um fim nessa afronta. Mas fica a marca do desrespeito da empresa, do sindicato dos empregados e dos grevistas para com os usuários e no geral com a própria cidade, que viveu momentos de quebra da ordem social e também sofreu prejuízos. A concessionária tem sua culpa por haver deixado que as coisas chegassem ao ponto de impasse; o sindicato, por não medir consequências e avalizar a greve, quando uma tal atitude nunca deve ocorrer num serviço dessa natureza; e os funcionários grevistas, por deixar-se induzir e não respeitar nem os cidadãos que se valem desse transporte e nem o compromisso que essa atividade representa. Não há inocentes num caso como este, e como aconteceu pela pronta intervenção da Justiça não pode haver complacência, porque o sistema de transporte coletivo vigorante é uma concessão municipal, sujeita a obrigações, que não podem ser descumpridas de forma alguma. O fim da greve não deve isentar nenhuma das partes de multas e demais medidas pertinentes, porque um grave delito foi cometido, podendo haver gerado resultados mais dramáticos. Na listagem dos benefícios pedidos pelos motoristas constam melhoria salarial, melhor condição de trabalho, adequação de escalas, lanche para os funcionários, uniformes gratuitos, não-dispensa dos cobradores em certos dias e horários, passe livre e planos de saúde. Não se discute, neste comentário, se as reivindicações são justas, e sim a má-gestão das partes envolvidas por haverem permitido que a questão se arrastasse e chegasse ao desfecho da greve. Um comportamento irresponsável, por tratar-se de serviço que não pode ser interrompido. Porque essa greve não foi apenas contra a classe patronal mas contra a população, pois 200 mil pessoas utilizam-se diariamente do transporte coletivo urbano, entre elas a classe operária, atendentes de saúde, pessoas doentes que precisam deslocar-se para os centros de atendimento e mortes poderiam ter acontecido. De sua vez, o episódio deve servir de alerta ao poder concedente, para cercar-se de salvaguardas de atendimento alternativo em situação como esta. Uma solução nada fácil, porque são 200 ônibus que operam no serviço. À empresa incumbe evitar impasses como este, por via da negociação e dos atendimentos possíveis uma auditoria permitiria conhecer a planilha de investimento e ganhos do sistema. E ao sindicato, bom é que crie juízo e abandone a política do quanto pior melhor, porque no caso da greve que articulou, o pior aconteceu, e ainda pior poderia ter sido.





