Não existe uma política para a Amazônia, cada vez mais depredada pela fúria do agronegócio, que perdeu a consciência preservacionista (ou nunca a teve) e está transformando a mata nativa amazônica em área agropastoril. Não apenas o desmatamento mas as queimadas que se sucedem e, agora, por acréscimo como se denuncia o excessivo uso de fertilizantes, que cresceu duas vezes nos últimos dez anos e está comprometendo o meio ambiente. Se os brasileiros não sabem preservar e proteger aquele território, não poderão deter a cobiça do mundo sobre a grande floresta. Nas aulas de geografia das escolas norte-americanas as crianças já estudam um mapa do Brasil sem a Amazônia, algo desfigurado e até sinistro aos olhos dos brasileiros que o vejam. Isto segue uma política de preparação de mentes para uma internacionalização (entenda-se sob o domínio dos EUA) daquela especialíssima região brasileira. Não se vislumbra nenhum ganho com a expansão do agronegócio sobre a floresta, porque os cientistas já avisam que o desmatamento e as queimadas podem afetar o regime de chuvas nas grandes regiões agropecuárias. Ausência de chuva nos momentos de necessidade resultará em diminuição das safras e em prejuízo da agropecuária, em todas as suas variáveis, então o que se expandir de um lado poderá escassear de outro. Mas estes alertas não têm sensibilizado nem os desbravadores de matas e nem o Governo, só salvando-se a comunidade científica e os defensores do meio ambiente, brasileiros e estrangeiros. Conclusões de recente conferência que reuniu 800 cientistas do mundo advertem que o que está ocorrendo na Amazônia pode afetar o clima de toda a América do Sul, e que a desertificação na região norte pode ferir drasticamente o sistema hidrológico do continente e criar grandes áreas secas no centro-oeste, no sul e no sudeste. E mais: afetará também o regime de chuvas no meio-norte dos Estados Unidos um país que não hesitará em intervir em qualquer região do planeta se seus interesses (deles, EUA) forem ameaçados. O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) chega a propor uma moratória para o desmatamento, a fim de ''manter em pé esse extraordinário laboratório de biodiversidade''. O diagnóstico final daqueles cientistas é que ''a Amazônia precisa de uma revolução científica e tecnológica, com investimentos centrados no Governo e capazes de levar a resultados como os da Embrapa e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica''. Ao menos para a fiscalização recursos não faltam. Eles estão representados nos 300 mil homens em armas do Exército e todo o seu arsenal de defesa, mas escasseia uma diretriz política a respeito e uma firme determinação, na esfera oficial. Naturalmente que falta antes de tudo conscientização, a seguir uma tomada de decisão e a competência para fazê-la fluir e alcançar resultados. Salvar a Amazônia é algo que não se obterá com candura, porque esta é uma questão de segurança nacional e exige força e coragem.

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