A investida contra a GR de Londrina
Indisfarçáveis razões de vaidade pessoal e disputa regional levaram a Confederação Brasileira de Ginástica a extinguir a seleção brasileira de ginástica rítmica de conjunto, que tinha sede em Londrina e conquistou o 8º lugar na última Olimpíada, em Atenas. A dirigente da entidade, Vicélia Florenzano, está há 14 anos no poder e nunca viu com simpatia a presença de Londrina conquistando espaços, ademais quando a equipe da cidade converteu-se em base da seleção brasileira de ginástica ritmica de grupo e referência nacional na modalidade. A presidente quer manter apenas a equipe de ginastas individuais, onde figuram Daiane dos Santos e Danielle Hypólito, e assim não tem que ver-se com uma equipe de Londrina ofuscando-lhe a cintilância, dela dirigente. Elisabeth Laffranchi, responsável inicial pelo florescimento da GR de grupo, depois passou o comando para Bárbara Laffranchi, sua filha, que treinou a equipe até a recente disputa de Atenas. As duas mestras são as artífices do sucesso das 'meninas de Londrina', como eram conhecidas as ginastas. Ademais, Elisabeth é vice presidente do Comitê Técnico de Ginástica Rítmica da Federação Internacional de Ginástica, com sede na Suíça. Sem ter a quem recorrer, porque a Confederação brasileira é soberana em suas decisões, Elisabeth Laffranchi resolveu habilitar-se à eleição de fevereiro, concorrendo à presidência da entidade com a rival, visando assim, por via de uma possível ocupação do cargo, restabelecer a seleção, segundo ela, arbitrariamente extinta. Extinguindo Londrina, a presidente da Confederação reforça seu poder. O que ela desejava aconteceu: a extinção da GR de conjunto, comandada por Londrina, e a manutenção apenas da ginástica artística e a equipe de ginastas individuais de GR, comandadas por Curitiba. Esses fatos levaram o deputado federal Alex Canziani, de Londrina, a mobilizar-se, e na última quarta-feira a Comissão Permanente de Turismo e Desportos da Câmara Federal convocou a dirigente da Confederação a explicar-se. Compareceram a essa audiência também Bárbara Laffranchi e os presidentes de Federações de Ginástica, assim como destacadas treinadoras de tais modalidades. A reunião foi acalorada, com intenso interrogatório por parte dos integrantes da Comissão. Episódio idêntico aconteceu com o Festival Internacional de Música de Londrina, que quase foi extinto por dirigentes de instituições culturais da Capital, vinculadas ao Governo. Foi necessária uma batalha de bastidores para impedir que tal acontecese. Se a GR de conjunto não vai morrer, em Londrina, porque a Universidade do Norte do Paraná onde a equipe da seleção de GR tinha sede manterá o curso existente, com Bárbara Laffranchi à frente, a cidade sofre um revés, motivado por razão puramente egoística.





