A inutilidade de uma tevê na Assembléia
A transparência que se exige dos políticos não se operará por via das TVs internas, primeiro porque ninguém assiste a esse tedioso 'entretenimento' e segundo porque o que eles não desejam que seja visto, não é mostrado. Os conchavos dos bastidores, estes estão longe de câmaras e microfones. Criar a própria televisão, como está pretendendo agora a Assembléia Legislativa do Paraná, se insere entre obras fúteis como eram, para os prefeitos de antigamente, as fontes luminosas. O movimento, as cores e as luzes da telinha não farão brilhantes os deputados, mas eles serão capazes de aprovar mais essa, gastando dinheiro do povo, se eles já não fossem tão pródigos na gastança com a farra pública representada pelos altos ganhos, pelas verbas de representação e toda a caríssima infra-estrutura instalada. Falta-lhes o senso do entendimento sobre os que os cidadãos esperam dos parlamentares e sobre o que, absolutamente, não desejam, como o luxo dessa tevê.
Os políticos já dispõem de excesso de tempo na televisão aberta, e esses horários de auto-propaganda eleitoral têm baixíssima audiência, ou quase audiência nenhuma, embora nada de muito melhor haja que ver no restante da programação. Bom seria se o nível de cidadania fosse tão elevado a ponto de os políticos ganharem o respeito popular, e que os cidadãos, por conta disso, apreciassem vê-los e ouvi-los. Essa estreita inter-relação deveria ser prática constante e algo saudável, da forma como agrada ver e ouvir gente interessante, que fale coisas inteligentes, mas não é com a legião dos homens públicos que as pessoas desejam relacionar-se.
Essa projetada TV da Assembléia paranaense será mais um canal de mão única, porque não terá sintonizadores e porque, pela natureza do sistema, não permitirá interatividade. Apenas mais uma das tantas coisas sem serventia que já poluem o éter e penetram sem licença nos lares paranaenses. E se isso não bastasse, representará elevado custo, por conta do bolso do povo. Pelo pouco que fazem os deputados, a não ser muito discurso, pelo elevado dispêndio que representam e pelos inventos que criam para preencher seu reino de fantasias, a impressão que se tem é que, no Paraná, já não há questões a discutir e nenhum problema a resolver que possam ocupar o tempo dos nossos representantes. Nessas horas não se ouve, na Casa, as vozes de protesto dos colegas pares que, em campanha, tanto defendem decoros e moralidades.





