A intolerância e o ciberespaço
A infinitude do ciberespaço ampliou as possibilidades para que certos tipos de criminosos passassem a agir com muito mais intensidade e liberdade. Valendo-se da internet, radicais de toda ordem conseguem espalhar suas ideias e convicções com muito mais agilidade e multiplicar o número de seguidores.
Historicamente, a intolerância se fez presente em diversos momentos. Em sua edição de ontem, por exemplo, a FOLHA trouxe o relato de três sexagenários irmãos ucranianos que sobreviveram à barbárie promovida pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, eles vivem em Doutor Camargo, Noroeste do Estado, mas entre março de 1944 e abril de 1945 estiveram presos em um campo de concentração na fronteira da Alemanha com a Holanda. Reencontraram a felicidade no Brasil, mas ainda lutam para serem indenizados pelo governo alemão.
Hitler acabou eliminado, mas as ideias que lançou continuam vivas e inspiram muitos extremistas na atualidade. Há poucos dias, foram presos no Paraná dois homens que mantinham um site na internet onde pregavam o ódio e incitavam a violência contra negros, judeus, homossexuais, mulheres e nordestinos. Além disso, as investigações apuraram que um deles poderia estar planejando atacar estudantes na Universidade de Brasília (UnB), onde ele próprio havia estudado.
Caso isolado? Nem um pouco. No mundo, recorrentes atos de terrorismo deixam rastros de morte e destruição. No Brasil, de tempos em tempos ficamos chocados com ocorrências de violência praticadas por um ou vários radicais. Recordemos o massacre promovido por Wellington Menezes de Oliveira, em abril de 2011, na Escola Municipal Tasso da Silveira. Ele matou a tiros dez adolescentes e feriu outros dez.
No Paraná, a recente prisão dos dois homens nos obriga a refletir sobre qual a real capacidade de atuação dos radicais. Devemos incluir no rol de nossas preocupações o fato de que a internet ampliou o espaço de atuação destes grupos. Além de terem acesso ilimitado a todo e qualquer tipo de informação, no ciberespaço eles acabam encontrando simpatizantes e disseminando suas convicções extremistas.
Na França, por exemplo, o governo assegurou que tomará medidas mais severas contra aqueles que fazem apologia ao terrorismo na internet e que incitem a violência ou ódio no ciberespaço. A proposta prevê prisão, inclusive, para quem visita páginas que promovam o terror. O país foi alvo recente de um terrorista, que também usava a web para trocar informações com membros da Al-Qaeda.
Por aqui, enquanto isso, ainda tratamos o problema sem a devida atenção. No Brasil, sequer existe a tipificação do crime de terrorismo.





