A instituições
e a gestão do
risco do crédito
Luiz Antonio Pedro
O Banco Central do Brasil, preocupado em analisar mais eficazmente o crédito e apontar o risco que se pode tomar com determinado cliente ou setor, bem como, preocupado com o crescimento das empresas e com a saúde das instituições financeiras editou no dia 21 de dezembro de 1999, a Resolução 2682 que define nove níveis para tomadores de empréstimos e dependendo do nível em que a empresa se encontra (AA, A, B, C, D , E, F, G e H) as instituições financeiras deverão provisionar créditos de liquidação duvidosa na proporção de 0 a 100% do valor emprestado.
Isso se fez necessário devido ao fato de que o Plano Real, implantado no Brasil em julho de 1994, trouxe reflexos positivos e negativos ao cenário econômico nacional. As empresas, e aqui com predominância, as instituições financeiras, não se deram conta das mudanças ocorridas e mantiveram-se aliadas aos pressupostos de análise de crédito do passado, onde o principal instrumento para medir o nível de risco de uma empresa era o balanço e a relação de faturamento, bem como os ativos que cobriam a operação.
Dessa forma, o que se observou após o início do plano, foi uma avalanche de empresas com protestos, concordatas e decretos de falência, cuja análise anterior não apontavam nenhuma restrição na concessão do crédito. Por quê? Porque os critérios de análise para a concessão de crédito estavam centralizados única e exclusivamente no executivo responsável pela concessão de crédito. Profissionais estes, que levavam em consideração somente aspectos históricos do desempenho dos clientes, a qualidade dos ativos ofertados como colateral a transação e atrelado a isso, a ausência de comitê de crédito e sistemas de análise de risco.
Assim, o que se observa no âmbito de empresas que atuam na concessão de crédito, é a elaboração de sistemas que meçam o nível de risco de seus clientes, de forma que os critérios a serem abordados não sejam somente o passado da empresa, mas principalmente as tendências do futuro, com identificação dos novos setores que vão comandar o crescimento brasileiro dos próximos anos.
No sentido de evitar um aumento significativo nos índices de inadimplência que assombraram as empresas nos últimos anos, o que se verifica hoje é uma preocupação latente nas empresas que concedem crédito, em elaborar sistemas que sejam o mais eficiente possível, com maior precisão quanto ao grau de risco de crédito concedido a terceiros, que abordem a situação econômica-financeira, a capacidade de geração de resultados, administração, pontualidade e atrasos nos pagamentos, grau de endividamento e capacidade de pagamento.
Como exemplo desse contexto, pode-se verificar preocupações como a do BNDES, que recentemente divulgou mudanças em seus critérios de análise, apontando deficiências nas velhas formas, onde a Taxa Interna de Retorno (TIR) e o Valor Presente Líquido (VPL) eram os comandantes da decisão.
A incerteza sobre o futuro não pode ser medida em uma análise baseada somente em índices. Tem que haver uma análise prospectiva mais abrangente onde se deve levar em consideração as tendências de mercado, estrutura administrativa, qualidade do nível produtivo e indicadores de qualidade. É a análise setorial que vai tomando lugar, ou melhor, aliando-se a análise dos indicadores.
Assim, o que se observa no mercado financeiro é que a obtenção de crédito junto a bancos se tornará cada vez mais difícil, não por ser injusto, mas pela necessidade de melhor aplicá-lo dentro da premissa de que o objetivo da instituições financeiras é a intermediação de recursos, ou seja, emprestar e receber dinheiro.
- LUIZ ANTONIO PEDRO é bancário e Mestrando em Engenharia da Produção, em Maringá
e-mail: [email protected]

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