O campo vive tempos conturbados com invasões de terras alheias e ameaças permanentes, pondo em risco o patrimônio e a própria vida das pessoas.
Embora a lei, notadamente a ‘‘Maior’’, assegure e garanta o direito à propriedade, hoje esse direito tornou-se vulnerável.
Quem poderia supor chegássemos a esse ponto: assistir a uma guerra instalada, provocada por aqueles que a todo custo querem terras contra os seus detentores?
O clamor por reforma agrária no país não é fato novo. Vem de passado distante. Por lutarem por ela, muitos já foram considerados revolucionários, subversivos ou comunistas e, portanto, pessoas perigosas na ótica dos líderes da chamada ‘‘revolução’’ de 1964.
Bem ou mal, está em andamento a reforma mediante desapropriações. Ocorre que, nesse contexto, há o fato preocupante de consequências trágicas por haver sido responsável pela conturbação da vida rural em diversos estados, e em particular nos maiores produtores de alimentos.
Nessa questão complexa e desafiadora participam dos movimentos pessoas que necessitam da terra, até como forma de sobrevivência, para dela tirar o sustento e produzir em benefício da coletividade, mas há os aproveitadores, como tem sido divulgado, profissionais das invasões, e há ainda os que não titubeiam em externar seus instintos violentos, indo além do esbulho possessório.
Se a ação de movimentos que se propõem a invadir a seu bel-prazer, julgando eles próprios quando áreas são produtivas ou não, é atitude inaceitável à luz das leis existentes, quanto mais estranho ainda é o comportamento de organizações destacadas e tidas como sérias que aprovam e defendem invasões como meio eficaz de pressão à realização da reforma agrária. Isto é descrer das leis e do Poder constituído. É duvidar da ação do governo democrático e pôr em risco a própria democracia. É a exaltação do arbítrio contra o império da lei e da ordem. É jogar sem-terras contra proprietários que em sua maioria são homens e mulheres sofridos nas lides da lavoura; famílias cujos pais e filhos unidos conseguiram, com muito suor, lágrimas e até sangue, amealhar um patrimônio. São pessoas que em geral não conheceram férias nem feriados e dia-a-dia viram o sol nascer e se pôr, enfrentando o frio, o calor, a chuva, a geada, as enfermidades, as cobras peçonhentas e até feras.
Será justo que do dia para a noite ou da noite para o dia venham elas a entregar, por nada ou a preço vil, o imóvel onde residiram anos e anos e nele fincaram raízes?
Os fins justificam os meios podem alguns dizer no tocante às invasões...‘‘Invadam! promovam anarquia, pode morrer alguém, não importa, mesmo que inocente ou alheio ao processo, só assim o governo apressa a reforma distribuindo terras a quem quer...’
Ora, essa é a filosofia da guerrilha e do terrorismo. Instituir o pânico no campo e desestabilizar a produção, trazer mais fome e pobreza.
Organizações de quaisquer credos ou ideologias estimuladoras das invasões estariam dispostas a ceder seus imóveis e palácios nas cidades no caso de invasões pelos sem-teto, que viessem pressionar a reforma urbana, quiçá também necessária? Não reagiriam essas elites em defesa do patrimônio buscando no poder de polícia a segurança? Seria correto alguém pregar aos que vivem em cortiços, favelas, viadutos ou expostos ao tempo invadirem prédios particulares, inclusive de igrejas?
É oportuno refletir nesses aspectos da questão e por certo a conclusão óbvia será: da insensatez do estímulo às invasões.

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