A insegurança da Justiça
O atentado ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Sergipe, Luís Antonio Mendonça, está sendo considerado ''do ponto de vista simbólico'', o ''11 de setembro'' da magistratura. A comparação com o ataque terrorista ao World Trade Center, em Nova Iorque, em 2001, foi feita ontem pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski.
No último dia 18, Mendonça foi alvo de um ataque em Aracaju. Quatro homens efetuaram cerca de 30 disparos de diferentes calibres contra o veículo do desembargador, que saiu praticamente ileso. O motorista de Mendonça foi atingido por um tiro na cabeça e permanece internado em estado grave.
Membros do próprio Judiciário e da imprensa chegaram a aviantar a possibilidade do ataque estar ligado à atuação de Mendonça na Justiça Eleitoral, o que seria um atentado à própria democracia. O desembargador, que já foi secretário de Estado de Segurança Pública por duas vezes e promotor de Justiça do Estado, descartou a ligação com o atual cargo, que ocupa desde janeiro.
O episódio serviu para que Lewandowski cobrasse reforço na segurança ''para todos os magistrados da Justiça brasileira'', pedindo ''mudança na cultura relativa à segurança da magistratura.''
Apesar de compreensível, a reação de Lewandowski - que também é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) - deixa a desejar. O fato da violência urbana - seja qual for a motivação - chegar às altas Cortes é um indicativo de como a base da sociedade sofre nas mãos de marginais, traficantes, sequestradores.
O clamor por uma atuação mais incisiva do Poder Público na contenção dos altos índices de violência não deve se segmentar por categorias, mas em nome de todos os brasileiros.





