A trajetória do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, está convergindo para um patamar suficientemente alto para transpor as metas estabelecidas pelo Banco Central para 2010. Os primeiros sinais foram dados em agosto e já permitiam prever níveis de perdas de salários e poder de compra.
  A notícia que os jornais divulgam hoje (Inflação oficial acelera para 0,75% só em outubro) com base em dados do IBGE, confirmam projeções de economistas consultados por este jornal. Três meses atrás já se aconselhava a pequenos e médios investidores abrigarem suas reservas em aplicações mais rentáveis e de menor risco. A caderneta só serve para períodos de muita estabilidade. Não se descartava, naquelas previsões de julho e agosto, a hipótese da volta da ciranda financeira, movida a especulações sobre iminente descontrole dos preços. Esse risco, no momento, está afastado. Apesar disso, a aplicação do dinheiro - para quem poupa ou atua no mercado financeiro ou acionário - requer uma avaliação do horizonte do IPCA.
  Já para o consumidor comum, o momento requer racinalidade. O índice oficial, isto é a inflação que o consumidor conhece está longe que representar a realidade. Basta comparar as médias dos últimos três meses com aumento de alguns itens vitais como combustíveis, carne e material de construção, no mesmo período.
  Em outubro, o IPCA registrou alta de 0,75%, ante os 0,45% de setembro, informa o IBGE. É a maior taxa desde fevereiro (0,78%). Mas é média e está bem abaixo de aumentos setorizados em que os combustíveis lideram. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,2%, ficando acima do centro da meta (4,5%) estipulada pelo governo. Até setembro, a taxa era de 4,49%. Dados oficiais que correspondem à médias e não expressam a inflação de cada indivíduo. Exemplo? Os alimentos tiveram avanço de 1,89% em outubro - o maior desde junho de 2008 (2,11%)-, após alta de 1,08% em setembro. Na média do IPCA esses valores acabam diluídos. Médias falseiam a inflação de cada família.

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