A inflação de cada família
A inflação sempre cabe no orçamento das famílias. A equação é a mais elementar possível; tão elementar e tão lógica quanto a economia doméstica, uma ciência regida pela experiência de quem sabe calibrar consumo e saldo raso da conta corrente em começo de mês. Tarefa das ministras da Fazenda de cada família: mães e esposas. Cada consumidor dimensiona seus gastos dentro dos limites da renda. No final do mês a conta fecha, independente do IPCA, enfim é a inflação de cada bolso.
Paradoxalmente, na cultura da economia indexada, os parâmetros aferidores de inflação são difusos para aquela dona de casa que administrou com correção cada um dos itens necessários. Qual inflação corrói mais o orçamento da família: a da média tirada de centenas de itens, ou aquela das necessidades essenciais. Claro que é a segunda, a da composição da cesta básica. Os custos não são diluídos, logo o impacto é direto porque a dona de casa não comprou a bola da Copa do Mundo. Comprou arroz, feijão, carne e macarrão, sujeitos à variação do clima e à especulações.
Essas coisas têm que ficar claras porque todos estão acreditando numa economia sem inflação. Não é verdade. Temos inflação setorizada e temos bolhas. A menos que se excluam os itens de consumo da classe média cujo índice de custo (ou de gasto) são justamente os que puxam a média para cima.
O ministério da Fazenda prevê que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2010 próximo de 5%. A estimativa da Fazenda está bem mais otimista do que a do mercado financeiro, que trabalha com inflação na casa de 5,6% este ano. Que produtos constam desse IPCA tão camarada projetado pelo Ministério da Fazenda? Afinal, itens do grupo alimentação já acumularam quase este percentual nos cinco meses deste ano. Antigamente a discussão era por causa da inclusão de produtos inelástico no mesmo grupo dos elásticos, de maior variação de preços. Há técnicos que defendem que se atribuam pesos diferentes.
Se isso acontecer a diferença de índices vem à tona, a inflação de cada um fica evidente e ninguém vai poder discursar que a inflação está controlada para as classes pobre. Não está nem para os ricos.





