Os últimos dias foram conturbados por notícias desencontradas sobre o futuro da industrialização do Paraná. Para clarear este assunto, nada melhor que a análise da realidade, o espelho dos números e a convicção de que nos últimos anos vivemos um processo virtuoso, que pode ser comprovado em todas as regiões do Estado. São centenas de investimentos produtivos e milhares de empregos, que beneficiam a todos os paranaenses. Somos todos testemunhas de uma história que juntos escrevemos.
Nosso Produto Interno Bruto (PIB) triplicou nominalmente em seis anos. Era de R$ 21 bilhões em 1994 e hoje é de R$ 70 bilhões. Nos últimos seis anos, instalaram-se no nosso Estado mais de 600 novas indústrias, que são responsáveis pela criação de 150 mil empregos diretos e 550 mil indiretos, com investimentos de R$ 25,3 bilhões. Só no setor automotivo, os 52 fornecedores diretos das montadoras investiram R$ 2 bilhões no nosso Estado e geraram mais de 10 mil empregos.
O mais importante é que o processo produtivo não é privilégio da Região Metropolitana de Curitiba: entre os fornecedores das montadoras, temos uma fábrica de chicotes elétricos em Irati, uma fábrica de botas de segurança em Toledo e uma fábrica de uniformes em Capanema, sem falar nos pneus produzidos em Ponta Grossa.
Londrina não ficou de fora da nossa industrialização. Temos na cidade os exemplos vigorosos do Grupo Dixie Toga, com suas quatro unidades, da fábrica de elevadores da Beta Sul, da indústria de refrigeração da Fast Frio e da unidade de produtos químicos da Sicpa Brasil. Apoiamos ainda a expansão de atividades da tradicional Companhia Cacique de Café Solúvel e de muitos outros empreendimentos. Ao lado de Londrina, em Cambé, temos os exemplos da Pado (fechaduras), da Rota Brock (mecânica), da Tecnosul (produtos químicos) e acabamos de assinar os protocolos da Inquima (produtos químicos) e da Wittur (metal-mecânico).
Para a administração pública, todas as fábricas trazem benefícios imediatos, mesmo que elas estejam a quilômetros de distância. É que o ICMS não tem domicílio municipal. Parte do imposto compõe um fundo que é repartido entre todos os municípios, beneficiando todas as cidades. Por isso, tenho a certeza de ter servido a todos os paranaenses com a decisão pela industrialização.
Mudamos de perfil. Já não somos uma economia periférica de São Paulo, já não somos meros fornecedores de energia elétrica para as fábricas de outros estados.
O mais novo investimento da Renault, que constrói uma fábrica de utilitários, orgulha o Paraná, amplia os empregos aqui gerados. Falava-se no início na cifra espetacular de 2 mil empregos a serem criados em quatro anos. Em metade do tempo previsto, os empregos gerados diretamente nessa montadora já são 2,2 mil. E serão 4 mil empregos em quatro anos, segundo revela a direção da empresa.
O noticiário recente, envolvendo outras montadoras, voltou a excitar as velhas cassandras da oposição. Sobre isso quero dizer que os investimentos em indústrias não podem ser confundidos, jamais, com capital especulativo. Este é volátil e frequenta o cassino mundial do mercado financeiro.
A industrialização do Paraná é fato histórico consolidado, com raízes sólidas, e não vai voar de uma hora para a outra para fora do País. Assim como as cavalgaduras, as fábricas não voam. Em hipótese alguma o Paraná terá prejuízo com qualquer montadora ou outro investimento produtivo. Há cláusulas severas que zelam pelo interesse do Estado nos protocolos assinados com essas empresas. Aquela que abandonar o projeto estratégico terá de recolher imediatamente todo o ICMS vencido.
Episódios de modificação de estratégias de produção, motivados pela pulsação dos mercados internacionais, são comuns em sociedades industrializadas. Não é nenhum apocalipse. No ABC paulista fazem parte da crônica cotidiana. É provinciano não perceber isso.
Claro que lutarei politicamente para manter todos os empregos. Cada emprego é importante, porque traz em si o meu sonho de prosperidade e bem comum, uma promissora realidade em todas as regiões do Paraná. Sonho que vamos continuar ampliando com árduo trabalho, tendo a certeza de que o nosso sacrifício atual será penhor de grandeza para o Paraná que está nascendo.
- JAIME LERNER é governador do Paraná

mockup