O desemprego é um drama comum a mais de 13 milhões de brasileiros. O desequilíbrio orçamentário, especialmente em relação às despesas familiares, é apenas uma das graves consequências desse mal social que, infelizmente, os dois candidatos à presidência da República parecem não priorizar em seus planos de governo. Como mostra a FOLHA na edição desta quarta-feira (17) no caderno de Economia, o número de consumidores londrinenses que entraram no cadastro de restrição de crédito do SPC Brasil aumentou 18% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

A estatística preocupa porque revela que cresceu o volume de consumidores que entraram para a lista de inadimplentes da empresa, utilizada pelos seus clientes para a tomada de decisão de concessão de crédito no comércio e serviços.

Não obstante, caiu 21% o número de consumidores que saíram do cadastro, mostrando que menos consumidores conseguiram sair da situação de inadimplência em setembro de 2018 em relação a setembro de 2017.

Os dados condizem com uma realidade que nem mesmo a política de juros adotada pelo Banco Central, com a manutenção da taxa básica em 6,5% ao ano por meses seguidos, foi capaz de amenizar. Os brasileiros continuam com poder de compra baixo, a ponto de não conseguir honrar as dívidas que contraem. Inclusive as consideradas essenciais.

O fator positivo no levantamento divulgado pela Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) é que no período de nove meses (janeiro a setembro), o movimento no número de consumidores que entraram e saíram do cadastro de restrição de crédito foi oposto. A entrada de consumidores na lista de inadimplência caiu 29% em relação ao mesmo período de 2017 e a saída aumentou 17%.

Especialistas avaliam que esse cenário positivo está diretamente relacionado, entre outros fatores, à recuperação do emprego formal na cidade, ainda que timidamente, ao pagamento do PIS/Pasep; à proximidade do final do ano e do pagamento do 13º ou da restituição de imposto de renda.

A lógica aponta que com renda, dinheiro extra em mãos e dívidas pagas, o consumidor tende a ter maior disposição em limpar o nome para poder consumir novamente nas festas de fim de ano. Esse cenário só pode ser mantido se a economia reagir, o que ainda não é possível vislumbrar em meio a um cenário econômico absolutamente incerto devido à polarização entre extremos que se desenha na disputa eleitoral ao Palácio do Planalto.

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