O calendário marca que amanhã, 8 de março, é Dia da Mulher. Não devia. Estabelecer um dia para a mulher é limitá-la demais. Para Ela temos que criar não o Dia, nem o Ano, nem o Século, nem o Milênio, mas a Eternidade da Mulher! Com direito a renovação por período idêntico... Seria como criar o Dia do Sol, o Dia (ou seria a Noite?) das Estrelas, o Dia do Amor. O que seríamos nós se o sol não fosse de todos os dias, se as estrelas não fossem de todas as noites, se de todos os dias não fosse o amor? O Dia da Mulher são todos os dias, porque os dias sem Ela seriam o caos.
Não fosse a mulher, quem perpetuaria a própria mulher?!
É pensar egoisticamente nos preocuparmos com a defesa da mulher, com os direitos da mulher, porque não somos os tutores dela. Machismo é proclamarmos que as mulheres têm direitos. Porque elas já são o direito. Seria como nos arrogarmos a veleidade de defender que alguém tenha direito ao oxigênio que respira. Não temos que conceder à mulher algum direito, porque a posse dessa concessão não nos pertence. Como podemos outorgar aquilo que não possuimos?
Neste 8 de março não precisamos prestar homenagem à mulher, a menos que o tenhamos feito nos dias antecedentes e pretendamos fazê-lo nos subsequentes. E sem falhar um dia!
Nós, homens e mulheres, temos todos a porção mulher, já que gerados da mulher, sangue de seu sangue, carne de sua carne. A mulher é a própria homenagem à vida! Não tenhamos a presunção, nenhum homem e nenhuma mulher, de outorgar-lhe direitos, porque eles já lhe são inerentes. Se imaginarmos concedê-los é porque de alguma forma ou em algum momento o usurpamos.
Dia da Mulher. Ela não precisa. Reverenciá-la, sim, é preciso. Se essa reverência não puder ser manifestada, bastará senti-la. Não há véu que consiga encobrir o sentimento e deter a força que o irradia.
Mulheres. O homem não vive sem elas - proclamam, ufanas, as próprias, quando lançam suas farpas de sedutor desafio. Não só o homem não vive sem elas como não existiria sem elas. E mesmo que, se de outra forma pudesse surgir para a vida, o homem sem mulher seria uma inutilidade. Um desperdício da Criação.
Mas não foi para tornar útil o homem que Deus criou a mulher. Ele a criou para poder criá-lo. E n’Ela e com Ela o homem completou-se. E todos viram que era bom o que havia sido feito.
Não maldiga o homem a mulher, porque negará sua própria origem; negará a si mesmo. Porque dela, antes de mais nada, são todos os direitos. Não crie o homem um Dia da Mulher, porque a mulher não tem a limitação de um dia, é transcendente. Não crie o homem os Direitos da Mulher, porque ela já os tem todos, e se algum lhe foi usurpado, vamos disto ter que prestar contas.
Mulheres. Algumas vezes fomos descuidados com elas. Ou com uma em particular, justamente aquela que mais amávamos. Só descobrimos isto quando a perdemos.
Amanhã podemos lhes mandar quantas rosas quisermos. Elas apreciarão isto. As flores contêm poderosa energia, e o ato de dá-las, muito mais. Será bom se o fizermos. Porém mais que isto será a consciência de que temos, com a mulher, um débito permanente de gratidão e de reverência.
A mulher foi sempre a alavanca impulsionadora de todas as coisas. Homens que redirecionaram os rumos da história ou redirecionaram a si próprios sempre tiveram, a inspirá-los, a presença (ou a saudosa e às vezes sofrida ausência) de uma mulher.
Não são, necessariamente, as mulheres no poder - seja o poder político ou o gerenciamento de negócios - as que detêm e sustentam supremacia, mas todas as demais, anônimas, que sem nada ostentarem acionam com vigorosa sutileza todas as alavancas que arremessam para a frente e para o alto os homens com os quais estão envolvidas - marido, filhos, irmãos, amantes - e o mundo gira por essas mãos e por esses meios.
O homem sem mulher, ou que não esteja com vistas a uma, é um homem desmotivado. Anda em círculo, não leva adiante grandes empreitadas. Falta-lhe a referência, o ponto de contato e de identificação. O homem projeta-se na mulher que ama ou que sonha vir a amar, e sabe que em algum lugar ela se encontra. Vive a fantasia de sentir-se amado por ela e a ela entregar-se. A mulher a impulsioná-lo, sempre! Um poder irresistível que o homem não domina e no mais das vezes administra mal.
Mulheres. Bom que elas existam!
Sem elas, nem pensar!
Deus as fez e viu que era bom. E aí descansou.

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