A imprensa tem o antídoto contra as fake news
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sábado, 18 de maio de 2019
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Não teremos eleições em 2019, mas não podemos relaxar quanto ao conteúdo que se compartilha na internet. A preocupação continua grande com as fake news, fenômeno muito presente nos grupos de troca de mensagens instantâneas ou no perfil das redes sociais de muita gente. Considerando a avalanche de desinformação que atingiu o Brasil no último pleito, de 2018, e a aproximação das eleições municipais de 2020, o TSE ( Tribunal Superior Eleitoral) promoveu, na semana passada, em parceria com a União Europeia, o Seminário Internacional Fake News e Eleições. Durante dois dias, autoridades brasileiras e estrangeiras debateram as implicações da disseminação de notícias falsas e seus efeitos negativos no processo eleitoral e na sociedade.
As fake news não são uma novidade do século 21. Os boatos sempre existiram, mas ganharam força com o desenvolvimento tecnológico que coloca, hoje, o cidadão exposto diariamente a um amplo leque de informações que chegam das mais variadas fontes. A questão é saber identificar as fontes confiáveis para não cair em uma rede de mentiras criada com propósitos diversos, entre eles enaltecer as qualidades ou denegrir a imagem de políticos, autoridades e celebridades.
Levando em consideração a experiência adquirida no processo eleitoral do ano passado, quando até o TSE foi vítima da boataria no ambiente digital, os especialistas presentes no seminário procuraram apontar formas de impedir ou minimizar a divulgação de fake news no pleito do ano que vem. Não é um exagero dizer que as notícias falsas são uma ameaça à democracia. Levantamento realizado no final do ano passado por um laboratório de cibersegurança apontou um aumento de 51,7% de casos de fake news detectados pela empresa no segundo trimestre de 2018 em relação ao primeiro.
Um dos convidados do TSE no seminário, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, destacou as dificuldades de se controlar a proliferação das fake news, pois ao lado da divulgação de informações está envolvida a liberdade de expressão e a própria dificuldade de se diferenciar informações verdadeiras e falsas. É nesse sentido que a imprensa tem uma grande contribuição a oferecer. A diretora do Serviço de Instrumentos de Política Externa da União Europeia, Hilde Hardeman, ressaltou que é preciso “empoderar a imprensa livre como um dos pilares da livre informação verdadeira”.
Cabe à imprensa a essencial tarefa de desmentir as notícias falsas utilizando um antídoto extremamente eficiente: a notícia de credibilidade, alcançada por meio de um trabalho jornalístico sério, com apuração dos fatos e incansável checagem de dados.


