A imprensa não irá se intimidar
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terça-feira, 05 de maio de 2020
Folha de Londrina 
Em 1993, a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o 3 de maio como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Seria irônico, se não fosse trágico, mas justamente nesse dia jornalistas brasileiros foram agredidos verbalmente e fisicamente durante uma manifestação em Brasília de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.
A manifestação pedia o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal) e intervenção militar. A marcha contou com a presença do presidente da República.
Na manifestação do último domingo (3), o repórter fotográfico do jornal o Estado de S.P., Dida Sampaio, e o motorista do jornal que fazia apoio ao jornalista, foram agredidos a socos, empurrões e pontapés. Naquele momento, Sampaio registrava as imagens do presidente em frente à rampa do Palácio do Planalto.
Infelizmente, episódios de violência contra jornalistas são comuns no Brasil e vêm de longa data. O relatório Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, elaborado pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), mostrou que, em 2019, foram registrados 208 ataques a veículos de comunicação e a jornalistas, um aumento de 54,07% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 135 ocorrências.
Segundo o documento, no ano passado houve dois assassinatos, 28 casos de ameaças ou intimidações, 20 agressões verbais, 15 agressões físicas, dez casos de censura e outros de impedimentos ao exercício profissional.
A agressão à imprensa não pode ser minimizada ou relativizada. Ela tem que ser investigada e os criminosos, punidos. Nesta segunda-feira (4), o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Ministério Público do Distrito Federal que apure a autoria das agressões aos jornalistas que cobriam o protesto. Levando em conta que o episódio foi amplamente filmado e fotografado, a polícia não deverá ter dificuldades em identificar os agressores.
O Dia Internacional da Liberdade de Imprensa foi instituído justamente para lembrar aos governos sobre a necessidade de a liberdade de imprensa ser um compromisso de fato respeitado.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que “jornalistas e profissionais da mídia são cruciais para nos ajudar a tomar decisões informadas”. E acrescentou que “à medida que o mundo luta contra a pandemia da CovidD-19, essas decisões podem fazer a diferença entre a vida e a morte.”
O ato criminoso do dia 3 de maio é uma covardia contra os jornalistas, a imprensa e a democracia. O bom jornalismo jamais deve se amedrontar com ameaças e atos de violência.
A liberdade de imprensa não é um conceito, mas uma garantia constitucional. É o inciso IV do artigo 5º da Constituição do Brasil que garante a livre manifestação de pensamentos.
A imprensa terá sempre uma resposta a atos covardes como a agressão ocorrida em Brasília, no último domingo. Resposta que se traduz no jornalismo profissional de qualidade, na busca pela verdade, na defesa da democracia e na luta diária contra a intolerância.
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