A importância econômica do agronegócio
É redundante falar da importância do agronegócio, mas será sempre necessário exaltar o peso que a atividade agroindustrial tem na sustentação econômica do Brasil e avivar a memória dos governantes e conscientizar os cidadãos, que não dão muita atenção à origem do alimento que consomem. Foi, ademais, por via de 13 produtos do campo que entraram no País 22,4% da moeda externa originada das exportações - porcentual contabilizado nos primeiros dez meses do ano que findou. Em dólares, foram 25 bilhões e meio, dos quais quase 6 bilhões correspondentes a carnes de boi, frango e suínos.
Apesar disso - conforme é do conhecimento de quem atua no ramo e também dos observadores econômicos que escrevem nos jornais - o Governo federal trata os negócios da agricultura e da pecuária com descaso. Ao tomar posse no segundo mandato o presidente Lula repetiu que vai desatar os nós do desenvolvimento (o anunciado pacote de medidas ainda não saiu), mas não mencionou os setores produtivos como foco, preferindo enfatizar a política de assistência aos pobres e parecendo ignorar que sem fortalecer as fontes produtoras - e aí também se encontram os pesados investidores - fará muito pouco para eliminar os estados de pobreza. Já o governador Roberto Requião, ao retomar o Governo, anunciou também que investirá nos pobres, mas prometeu que irá aplicar 1 bilhão de 300 milhões de reais na diversificação da agricultura e na industrialização da produção agropecuária.
Com relação à pecuária, embora algumas medidas já anunciadas depois que (caso do Paraná) foi removido o impasse da aftosa, o Governo não precisaria ser pressionado pela exigência dos importadores de carne, quanto à sanidade. Esta deveria ser uma política rotineira, para preservação dessa preciosa fonte de riqueza. A bancada paranaense no Congresso deve saber que também é sua incumbência levar ao Governo federal as reivindicações do agronegócio - e a pequena atividade rural também é agronegócio, embora tenha se atribuído essa palavra, equivocadamente, apenas aos grandes produtores.
E, se o governador Requião anuncia aquele investimento na agricultura e na agroindústria, precisa igualmente ser cobrado quanto a isto, da mesma forma que se exige dele que faça o mesmo com relação ao presidente Lula nas questões de interesse do campo - reforma agrária incluída. É agora a hora, quando o presidente da República recarrega as baterias para a segunda arrancada. As lideranças do agronegócio, que não se movem suficientemente e vão deixando as coisas acontecerem, precisam arregimentar-se e reativar os movimentos de pressão, que precisam ser sistemáticos e contínuos, sem trégua em nenhum momento.





