A importância e a necessidade da vaia
O presidente Lula ficou entristecido não apenas pelas vaias a ele, na abertura dos Jogos Pan-americanos, mas porque as televisões do mundo as mostraram. E assim o retrato da realidade foi revelado, embora segmentos da população declararem admiração pelo governante. As vaias são importantes e necessárias e um instrumento dos cidadãos, que pode ser utilizado sem impedimento e sem sanção. É um recurso de uso fácil para o protesto e com toda a certeza não é utilizado sem razão. Parodiando um dito popular, os homens públicos podem indignar-se com as vaias, mas sempre sabem por que estão sendo vaiados.
A crônica mais ferina declara que ninguém é político impunemente, e embora não se possa tomar essa afirmação ao pé da letra e genericamente, eles próprios criaram esse baixo conceito que a população faz deles. A vaia é uma manifestação de cidadania e precisa ser utilizada com mais frequência diante dos corruptos clássicos, dos que mesmo não o sendo permitem ganhos milionários para si - o que é também uma forma de corrupção - e dos governantes de baixa operância. Ela fere de morte um político, porque tem o significado do voto em contrário. Todos os maus políticos precisam ser vaiados quando descem às suas bases, já que é mais difícil ir aos seus redutos. Mas os lugares abertos frequentados por eles, como os seus pontos de desembarque, os restaurantes (mesmo com o risco de que pratos voem), as cerimônias, são propícios para a manifestação de desagrado popular. E também para o aplauso, se for o caso.
Não é apenas um supremo mandatário da República que deve ser vaiado quando houver razão para isso mas também o vereador, o prefeito, o governador, o Secretário de Estado, o parlamentar, o ministro, o representante da Justiça. Talvez os cidadãos não saibam que o maior temor dos políticos e dos homens públicos no geral seja a vaia. Porque além de doer na carne, é um mote para os adversários e isto aumenta a dor.
O ideal seria um sistema em que o povo respeitasse a autoridade e esta respeitasse o povo. Como esse respeito deve partir primeiro da autoridade, e tal não ocorre, então a vaia é a boa resposta aos detentores do poder que incorrem em desmando ou atravessam o mandato inteiro sem nada realizar. Portanto, estes também são ladrões do povo. Paralelamente à vaia deve haver a cobrança, que deve ser feita pelos cidadãos no corpo a corpo com os governantes, em pleitos com propostas de soluções e em forma de manifestações organizadas. Porque não há poder maior do que o representado por um povo cheio de razão.





