A importância dos bons salários
Bons ganhos salariais significam não apenas bem-estar para quem os usufrui mas também um maior volume de moeda circulando e, por extensão, mais benefício para todos. Só o aumento em R$ 50 do salário mínimo, já vigorando a partir deste mês e que será pago nos primeiros dias de maio, indicam uma elevação de compras de 13%, segundo estimativa de empresas de consultoria. Daí a importância de um suficiente rendimento mensal. Se o salário mínimo ainda é baixo no Brasil e não é prevalecente porque a maioria dos trabalhadores ganha acima disto ele envolve 40 milhões de brasileiros, pois é referência também das aposentadorias, que contemplam 16 milhões de beneficiados. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos que sempre tem defendido um salário mínimo acima de R$ 1.000 estima que só a melhoria atual de R$ 300 para R$ 350 representará uma dinamização de R$ 2 bilhões por mês na economia. Se o governo afrouxasse um pouco o torniquete do encargo sobre os salários, e se o valor correspondente fosse revertido, ao menos em parte, para o trabalhador, a nação brasileira daria um gigantesco salto de crescimento. Países ricos são aqueles onde os trabalhadores ganham bem, e essa virtude não é gratuita, mas porque o Estado não sufoca as empresas. No Brasil o sistema governamental arrocha nos impostos e permite que os bancos operem com juros estratosféricos, dessa forma concentrando renda e subtraindo-a do meio circulante e assim desestabilizando empresas e negócios. Se o salário é fator de desenvolvimento, há que investir nele. As empresas proclamam-no bem-vindo e mais ainda quando ele cresce mas paradoxalmente parecem não se darem conta de que são elas que o geram, e no entanto não são muito partidárias de elevá-lo e não pensam duas vezes no ato de despedir empregados. Se apenas R$ 50 a mais, para cada trabalhador que ganha o mínimo, pode causar tanta revolução na economia, imagine-se esse valor aumentado várias vezes! Tem-se declarado, e nunca é demais repetir, que com alguns ajustes na legislação trabalhista, com uma desoneração no peso tributário aí incluídos os encargos sobre salários o Brasil ganharia em pouco tempo o status de nação de primeiro mundo. O governo também ganha com a reativação da economia, porque passa a auferir mais impostos, e não por aumento das alíquotas mas pelo volume de negócios tributáveis. Calcula-se que nos doze meses depois de maio o governo aumentará sua receita em R$ 6,3 bilhões, só em função da ação em cadeia provocada pelos minguados R$ 50 de acréscimo do mínimo. Porque a magia da moeda circulante é que dinheiro girando multiplica várias vezes a sua função, pois passa de mão em mão, e nesse giro acelera a dinâmica da economia. Ao contrário do dinheiro parado, que estanca a si mesmo e estanca tudo.





