Quando em janeiro de 1997 iniciei minha primeira, relativamente rápida e provavelmente única participação em administração pública, então como diretor de Desenvolvimento da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) encontrei um bom trabalho de planejamento desenvolvido por administrações anteriores que, entre outras coisas, estabelecia os chamados ''vetores de desenvolvimento econômico da cidade''.
Nesses vetores estava alinhada uma série de ações estratégicas que objetivavam permitir e favorecer o desenvolvimento econômico. Muitas dessas ações foram implementadas (definição de áreas para desenvolvimento industrial) outras estão em execução (ampliação do Aeroporto de Londrina).
Entre aqueles vetores senti falta de um que indiscutivelmente é fundamental para o desenvolvimento econômico: disponibilização de gás natural. Mobilizei-me para descobrir se havia fortes razões estratégicas para que esse vetor não estivesse contemplado no planejamento. Identifiquei que o que houve foi uma confusão entre o oleoduto obra programada para exceção e que trará os derivados de petróleo e AEHC da Refinaria Petrobras em Araucária (Repar) para o Norte do Paraná. E o gasoduto seja o gás de que origem for: boliviana, argentina ou local (Pitanga).
Gasoduto esse que fará com que esse importante (limpo e econômico) energético chegue até Londrina e aqui seja distribuído para as suas mais diversas utilizações: industriais, automotivas, hospitalares.
A presença do gás natural entre nós assegura a manutenção de importantes indústrias em nossa região, assim como propicia a instalação de outras que dependam de fontes de energia geradoras de calor a custos muito mais competitivos e com taxas de agressão ambiental muito menor que outros energéticos (lenha, carvão, BPF, diesel).
A partir da identificação da inexistência do vetor dentro do planejamento, ele foi rapidamente incluído e daí iniciada ampla (e atrasada) mobilização para corrigir esse erro estratégico. Incorporaram-se a esse movimento importantes segmentos da sociedade organizada: associações, sindicatos, imprensa, e as próprias administrações públicas municipais da região.
Foram realizados encontros, fóruns, simpósios, produzidos documentos, realizadas pesquisas, e até se chegou a entregar um documento ao presidente Fernando Henrique Cardoso, no sentido de sensibilizá-lo para a importância econômica do Norte do Paraná e a necessidade e viabilidade de se ter o gás natural por essas terras vermelhas. Quase quatro anos depois e (novamente) com atraso vislumbra-se a possibilidade de que o gás natural chegue por aqui.
Com profundas (e louváveis) preocupações ambientais, a Autarquia Municipal do Meio Ambiente fez à Compagás uma série de reivindicações para que o gasoduto passe por nossas terras e que por aqui o gás seja distribuído. Esse conjunto de reivindicações coloca Londrina (mais uma vez) na sua condição de pioneira, pois não consegui identificar quaisquer outros municípios brasileiros que tenham feito reivindicações dessa natureza.
Inquieta-me, no entanto, caso (e já há manifestação da Compagás nesse sentido) as reivindicações inviabilizam a chegada do energético. Louvo novamente as preocupações ambientais (e nem vou discorrer sobre pretensos danos econômicos que advirão caso não tenhamos o gás) mas percebo que continuaremos a ''queimar'' lenha, carvão, BPF, diesel. E que embora não sendo um especialista em assuntos ambientais, parecem-me muito mais agressivos e pouco corretos do ponto de vista ambiental.
Minha motivação ao iniciar este texto era o de encontrar adjetivos para esse tipo de postura, porém embora alguns tenham me ocorrido não me sinto à vontade para expressá-los e deixo para o leitor e cidadão a escolha dos melhores adjetivos.


- JOSÉ CÂNDIDO MILLER JUNIOR é ex-presidente da Codel e executive manager do Londrina Convention & Visitors Bureau

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