"Não admitirei que alguém venha no TJ e nos critique." A frase é do próximo presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, desembargador Clayton Coutinho Camargo, e suscita discussão. Pai do deputado estadual Fabio Camargo (PTB), o desembargador que toma posse no dia 1º deu declarações polêmicas à publicação oficial da Associação dos Magistrados do Paraná.
Questionado sobre como seria seu relacionamento com a imprensa, o futuro presidente do TJ deixa claro que não está disposto a receber críticas, incluindo aquelas vindas de entidades que, segundo ele, são comandadas por pessoas que "gostam de holofote". "Certa imprensa, não é? Que está sempre cobrando e não apresenta sugestões. Existem também presidentes de algumas entidades que gostam de holofote e apenas criticam. O desembargador Kfouri tem sido muito condescendente. Não admitirei que alguém venha no TJ e nos critique. Aqui é nossa casa e devemos ser respeitados. Os juízes, na minha gestão, serão respeitados. Posso aceitar que venham ao meu gabinete para sugestionarem", responde. A entrevista foi reproduzida no endereço do TJ na internet e foi também alvo de matéria da Folha de Londrina, publicada na última quinta-feira.
Nos últimos anos entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem publicamente se manifestado sobre medidas do TJ. Assim como a imprensa vem tentado cumprir seu papel, acompanhando e dando publicidade às ações do Judiciário. Dentro disso, notícias como a compra de carros oficiais de luxo a desembargadores (nem todos quiseram utilizá-los), a criação de cargos comissionados, a proposta de aumento das custas dos cartórios ou a resistência do TJ em dar publicidade aos contracheques dos magistrados, por exemplo, merecem sim a atenção do cidadão, de entidades e da imprensa. E, por se tratar de uma democracia, tais medidas, por óbvio, também podem ser alvos de críticas.
Exigir respeito aos juízes é, sim, legítimo, mas repudiar aqueles que se manifestam, ou mesmo ignorar, é dar força a um Judiciário de "portas fechadas", cuja existência vai na contramão de um País que hoje se esforça para implantar leis como a de Acesso à Informação Pública. É justamente em respeito às transformações que buscamos para o País que não podemos ser condescendentes com a falta de debate.

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