A importância do cooperativismo para a tecnologia no campo
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segunda-feira, 09 de setembro de 2019
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Não é fácil administrar os inúmeros riscos da produção agrícola e, ao mesmo tempo, ser eficiente na gestão financeira. Nesse cenário complexo, as cooperativas agropecuárias vêm ganhando cada vez mais importância dentro do agronegócio brasileiro, por apoiarem o produtor em seus desafios diários. No Paraná, um dos Estados onde o cooperativismo está fortemente enraizado, o número de cooperados triplicou nos últimos dez anos e, em 2018, suas 215 cooperativas agropecuárias somaram R$ 83,5 bilhões em faturamento, representando 60% do PIB (Produto Interno Bruto) agrícola do Estado, segundo dados da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná).
Tradicionalmente, as cooperativas são reconhecidas por fornecerem insumos a menor custo e remunerarem bem seus associados. No entanto, seu papel vem se ampliando. O estudo Agricultural Cooperatives and Digital Technology, realizado pela PwC e baseado em entrevistas com as maiores cooperativas agropecuárias do mundo, mostrou que o setor reconhece ser também responsável por apoiar os seus membros com relação à adoção de tecnologias digitais.
Na visão de 100% das cooperativas entrevistadas, a adoção de tecnologias digitais é uma tendência importante que vem transformando a forma de produzir, comercializar e fazer negócios. Elas acreditam que a adaptação a esse tipo de transformação reduz custos e otimiza processos, garantindo sobrevivência no mercado. Na prática, as cooperativas agropecuárias já auxiliam os produtores, por exemplo, com soluções de controle biológico em lavouras de milho por meio do mapeamento e monitoramento com imagens de drones, utilizando dados e sistemas de automatização para fornecer remotamente recomendações de manejo aos produtores de leite. Em alguns casos, utilizando impressoras 3D para fornecer peças customizadas para reparar máquinas e implementos agrícolas.
Além disso, as cooperativas acreditam que, apesar das rápidas mudanças, as principais transformações ainda estão por vir. De acordo com a pesquisa, as inovações tecnológicas oferecem ao setor a chance de implementar práticas em quatro pilares: agricultura de precisão (utilização de GPS, sensores, dispositivos conectados e drones), análise e uso efetivo de dados (monitoramento da fazenda em tempo real, antecipação de cenários e contribuição na tomada de decisões, como a escolha das sementes e fertilizantes), digitalização da comunicação entre os diferentes stakeholders (por aplicativos, plataformas de vendas, reuniões digitais, uso de nuvens) e rastreabilidade (coleta e registro de dados ao longo de toda a cadeia produtiva, código QR em embalagens e até cálculo do uso de carbono).
As cooperativas têm se destacado por reconhecer as tendências e transformações do agronegócio e por inserir também o pequeno produtor em uma economia cada vez mais globalizada. Essas cooperativas, com gestão profissionalizada, adoção de boas práticas de governança corporativa, investimentos em tecnologia e visão de futuro, se definem como verdadeiros parceiros estratégicos que tanto os produtores brasileiros precisam, mantendo-se em sintonia com a mudança de comportamento do consumidor e fortalecimento da competitividade.
ADRIANO MACHADO, sócio da PwC Brasil e especialista em Agribusiness, e FABIO PEREIRA gerente sênior de Agribusiness da PwC Brasil


