A importância da eleição nos EUA
É mais importante do que muitos supõem a eleição que se travará dia 2 de novembro em território bem além daqui, mas cuja definição terá reflexo sobre a vida de todos os cidadãos do mundo. A escolha entre a permanência de George Bush na Presidência dos Estados Unidos e a volta de um democrata ao poder, John Kerry, tem significado idêntico ao que os brasileiros acabam de decidir para seus municípios, ao eleger novos prefeitos, e ao que comunas com mais de 200 mil eleitores farão no próximo dia 31. Bush é por excelência um ''homem de guerra'', como ele próprio se define, e na crista dessa corrente navegam as mais poderosas forças de dominação de seu país, enquanto seu opositor segue a linha mais moderada e mais capaz de entendimentos e menos de apelo ao emprego das armas. Um governo sob administração democrata, ademais, tenderia a frear ódios ressentidos de meio mundo contra os EUA e de conduzir para caminhos de melhor coexistência e de temporadas de mais paz neste conturbado planeta. Episódio surpreendente como o de 11 de setembro de 2001 poderia não ter acontecido se no trono presidencial não estivesse um tão desafiador e arrogante membro do clã dos Bush e com ele toda a corrente da opinião pública de seu país a maioria amante da luta armada e da manutenção da hegemonia americana sobre os povos do mundo, a qualquer preço. Analistas mais ácidos avaliam que a humanidade está em perigo sob o comando de qualquer presidente americano, seja ele republicano ou democrata, porque, não obstante a influência individual que cada um possa exercer ante determinados conflitos e situações, o chefe supremo da poderosa nação segue a linha predominante de seus 280 milhões de cidadãos que sabidamente não têm amigos mas interesses, como o definiu certa ocasião um de seus presidentes. Em defesa deles, tentáculos gigantes se estendem a qualquer ponto do planeta. Não é força de expressão, mas realidade, que o comando do mundo tem assento na Casa Branca, não um lugar isolado e solitário mas o ponto focal de representação de todo o poderio político, econômico, bélico e estratégico da grande nação ao ''cume'' do globo terrestre. De qualquer modo, as correntes internas e externas afinadas com a paz se sentiriam mais cômodas e aliviadas se não assistissem à continuidade do mandato de George Bush, e esse alívio teria reflexo sobre as forças de resistência do mundo feridas em seus interesses e em sua cidadania e que são capazes de reações violentíssimas, como os fatos têm demonstrado. Enquanto as maiores cidades brasileiras ainda travam batalhas em seus redutos para eleger prefeitos, um acontecimento prestes a ocorrer a 10 mil quilômetros de distância será igualmente importante e decisivo e terá influência sobre cada um dos habitantes da Terra.





