A importância da classe ruralista
A Sociedade Rural do Paraná é uma entidade que vem consolidando sua representatividade e, pelo peso do agronegócio, cresce em importância e pode assumir posição de grande relevância junto aos poderes decisórios da República. A eleição travada sábado e que reelegeu a atual diretoria da entidade levou para as urnas menos da metade do quadro de sócios, cujos domicílios extrapolam os limites da região e se estendem por todo o Paraná e por Estados vizinhos, e também trouxe a Londrina o governador Roberto Requião. Isto demonstra a expressão da classe ruralista e de seu significado para a geração de riquezas, neste país continente e de terras férteis, que tem na atividade do campo o seu grande suporte econômico.
Uma reeleição é sempre a consagração do mandato de quem se reelege, mas cria responsabilidades ainda maiores, a exigir continuidade das lutas abraçadas e com vigor redobrado. Sabe a atual diretoria, e souberam também as anteriores, que a ação política de uma instituição como a Sociedade Rural não se limita aos interesses do quadro social, mas significa também aglutiná-lo e fortalecê-lo, para, como um só corpo, assumir dimensões de ampla envergadura e com a atenção voltada para os interesses maiores do Estado e do País. A presença do governador sinalizou para esse significado. E se o chefe do Governo vem dar respaldo à classe dos produtores rurais, porque deles necessita, é da sábia estratégia política, na contrapartida, não assumir posição de confronto ante os poderes governamentais e sim trazê-los para perto e fazê-los aliados nas lutas comuns.
Há um chamamento de união nacional no presente momento, quando um governo ainda novo, no comando da República, reclama orientação e apoio e um amplo debate de idéias, sem dispersão, sobretudo com a presença das classes fortes, porque investidas do poder de influência e decisão e em que, destacadamente, figura a comunidade ruralista. União não deve necessariamente significar cega concordância e nem sistemática oposição, mas a harmonia dos afins e dos contrários.
No que respeita à reeleição em si, os votos favoráveis devem ser entendidos como prestigiamento e os contrários como indicativos a serem avaliados, porque eles significam a posição de uma corrente dentro do quadro social. Adversários de momento devem ser reconduzidos para a arena comum dos debates e deliberações, para que, ainda que mantidas suas posições de campanha, eles continuem sendo voz a ouvir e a considerar. Porque uma disputa eleitoral não é um jogo de forças mas um exercício de democracia.





