No meio mais pobre e mais simples chamam a imoralidade de trambique; entre a população de renda média e de média cultura, chamam-na de falcatrua; e os mais dotados, os intelectuais, dizem que é improbidade moral. A diferença está apenas num estágio de escolaridade, mas isso tudo é roubo, promiscuidade e mau-caratismo.

Com raras exceções, em todas as classes sociais, a desonestidade está presente e deixa uma clara evidência de que o mau-caráter tem raízes profundas na formação familiar e religiosa do indivíduo. Porque o homem, sem os princípios morais da família e sem o direcionamento Deus, é facilmente corrompido.

O roubo que começa no barraco mais pobre da favela, onde predomina o analfabetismo, expande-se numa ascensão surpreendente, até os luxuosos gabinetes da magnificentíssima reitoria das universidades.

Essa distorção do desequilíbrio moral do homem, quando descoberto, confirma-se que essas atitudes imorais não estão somente relacionadas com a educação.

Poucos são os pobres que roubam; e, mesmo assim, roubam pouco. De outro lado, são muitos os ricos que roubam. Estes, porém, roubam muito; principalmente, se o rico for também político ou um dos apadrinhados dos políticos, porque é muito difícir compatibilizar o poder do comando e o dinheiro com a probidade moral.

Se a história já registrou que os ricos roubam mais do que os pobres e os graduados mais do que os de poucas letras, então a imoralidade não está relacionada nem só com a cultura e nem só com a escassez de recursos financeiros.

A efetiva e assustadora presença da corrupção e da promiscuidade em todos os níveis sociais é apenas facilitada pela complacência do meio e pela morosidade da Justiça. Todavia, as características marcantes estão mesmo relacionadas com inadequada formação familiar e com a falta de religiosidade.

Construir presídios, formar Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) ou submetê-los a processos judiciais, são soluções paliativas. O que o homem precisa mesmo é mudar o comportamento e reconciliar-se com Deus, a única fonte capaz de erradicar a corrupção, a imoralidade ou quaisquer epidemias cancerígenas que possa abater as virtudes humanas.

Mesmo sabendo que o pecado é uma separação entre o homem e Deus, mesmo assim o pai sempre está à espera do filho, com certeza. E seu regresso será sempre motivo de festa.

Àqueles que se dizem cristãos, é bom lembrar as palavras do Mestre: ''Se não nascer de novo, não tem parte comigo.'' Quem se interessar por um cristianismo verdadeiro precisa desnudar-se do velho homem do pecado e revestir-se com a roupagem embranquecida da santidade cristã. Com essa transformação o homem torna-se totalmente probo e capaz de espelhar, com dignidade, aqui na terra, o caráter do seu criador.

Começando com o analfabeto mais rude da favela, até o magnífico reitor de uma universidade; desde o mais enfraquecido faminto pelo pão cotidiano, até o mais rico esbanjador, todos, indistintamente, sem acepções de raça, de cor ou nacionalidade, precisam dessa mudança de comportamento.

O homem pode, se quiser, assemelhar-se ao apóstolo Paulo. Ele disse: ''Não sou eu mais quem vivo; é Cristo que vive em mim.''

Milhares já experimentaram esta vida nova. Nunca mais pensaram em trambique, falcatruas ou improbidade moral.



- NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor aposentado em Londrina

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