Publicações de campanha com ataques a candidatos, mensagens eletrônicas com ironias ferinas e maldosas, acusações e contra-acusações verbais, tudo isto parece machucar tanto a integridade moral dos atingidos a ponto de eles recorrerem aos meios legais para defender a honra e a imagem prejudicada. Com isso sobrecarregam a Justiça, obrigando-a a decisões rápidas pela exiguidade de tempo. Criam ademais um clima de acidez na campanha com essas brigas, que se situam apenas no ventre da própria espécie política, porque o povo não dá importância a isso e apenas observa, desencantado com a pobreza de conteúdo já tradicional no processo político-eleitoral brasileiro. Nos debates do rádio e da televisão a preocupação maior dos candidatos é contra-atacar-se. Um triste espetáculo a que eleitor assiste com um certo desprezo e até repugnância, embora não lhe reste outra opção se ele tem de decidir no momento do voto. Mas a razão deste comentário, exposta nas primeiras linhas, é a constatação da defesa pronta dos candidatos contra as ''injúrias e difamações'' e as ''denunciações caluniosas'' que sofrem, se eles pouco passam a se preocupar com a imagem depois de eleitos, e aí revelam o que realmente são: no mais dos casos inoperantes, desmemoriados das promessas, surdos aos clamores do povo, quando não descambam para a corrupção. A partir da posse, essas vergonhas não têm mais registro em seus padrões, como a história da vida pública brasileira o demonstra em profusão. Exceções se façam, porque é de justiça, mas elas são o que diz o termo: exceções, não regra geral. Inacreditável que seja, a vergonha maior do político é não eleger-se. Isto o fere de morte, embora não lhe cause sofrimento algum a difamação pela inoperância e pelos desmandos que, no mais dos casos, comete quando no poder, parecendo então que a virtude da responsabilidade pública lhe é extirpada. Se é verdade que muitos se valem do oportunismo da campanha eleitoral para lançar lama sobre este e aquele atos que são praticados por elementos da própria comunidade em disputa e também por gente do povo, com seus gracejos irresponsáveis, sobretudo pela internet, também é certo que isto se dá em função do baixo conceito em que os cidadãos situam a grande maioiria dos que se lançam na disputa por cargos eletivos e pelos que já estão no poder. Os políticos, portanto, não têm muito que queixar-se quanto a esses dardos que a opinião pública dispara contra eles.

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