"Deus não teme coisas novas. É por isso que ele está continuamente nos surpreendendo, abrindo nossos corações e nos guiando em caminhos inesperados." A frase, dita pelo papa Francisco, em outubro do ano passado, durante encerramento da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, reforçou a mudança de tom que o sumo pontífice está imprimindo à Igreja desde que assumiu o posto de líder espiritual dos católicos.
A ideia de uma Igreja mais receptiva e que não teme mudanças é o recado que o papa Francisco passa para os católicos. Obviamente, que a mensagem vai para o mundo todo. Independentemente da religião, aqueles que estão abertos a ouvir as propostas do papa observam ideias um pouco mais tolerantes em relação às mudanças na estrutura das famílias e à homossexualidade. Ainda não se pode falar em mudanças profundas, mas o fato dele abordar assuntos que até então eram desconsiderados pela Igreja representa um avanço.
Nesta semana, o sumo pontífice reconheceu que a separação de um casal, em alguns casos, é inevitável e até moralmente necessária, principalmente quando existe violência na casa. Um recado direto principalmente para as mulheres, crianças e adolescentes que muitas vezes acabam se submetendo à violência, à exploração e à indiferença.
A mensagem do papa foi lançada um dia depois da apresentação no Vaticano de um documento que guiará o próximo Sínodo dos Bispos, marcado para em outubro de 2015 e que será dedicado novamente ao tema "família". No ano passado, o sumo pontífice já havia declarado que a Igreja deveria aceitar o desafio de encontrar um espaço fraternal para os homossexuais sem abdicar da doutrina católica sobre família e matrimônio.
Importante refletir a respeito dessas novas análises do papa Francisco sobre divórcio e homossexualidade. Embora o Vaticano não tenha defendido uma mudança significativa frente a esses temas polêmicos, o discurso é menos condenatório e sinaliza uma linguagem bem mais compreensiva. Necessário ressaltar também que outros temas polêmicos ganham espaço nas mensagens do papa, como a importância de se combater a pedofilia e a corrupção.

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