A ideia de mudar localização do Teatro
Parecia fato concreto a definição do Marco Zero para construção do Teatro Municipal de Londrina, mas com a mudança de comando na Prefeitura surgiu a ideia - já de pronto condenada por muitos - de mudar de endereço. Ou seja, de um ponto quase central para uma zona periférica junto ao projetado Jardim Botânico. As razões para esse inusitado desejo de mudança parecem políticas, eventualmente por tratar-se de designação da área atual pelo prefeito anterior.
Essa especulação situa-se ainda no palco das possibilidades, mas parece evidente o interesse da atual administração nessa reviravolta. O novo local, adequado para o projeto do Jardim, é em princípio distanciado demais para o Teatro, considerando-se a densidade populacional da zona original já designada para essa casa de espetáculos. Uma justificativa anunciada para a modificação é o barateamento da terraplenagem.
O mesmo espaço reservado para o Teatro - que é denominado Marco Zero porque ali foi a primeira parada dos pioneiros precursores que chegaram a Londrina - abrigará também um complexo empresarial privado, compreendendo um shopping de grandes proporções, um centro de eventos e outras instalações, e cujos empreendedores tiveram, por força de exigência legal (por tratar-se de loteamento) de doar uma área ao Município. O prefeito anterior definiu-a então para o Teatro. O projeto de edificação dessa casa para múltiplas funções artísticas - resultado de um concurso nacional - foi previsto para a topografia desse terreno. Se ocorrer a mudança de local, o projeto arquitetônico e funcional não precisará ser modificado, a não ser quanto às fundações. Se não se fez consulta popular na escolha anterior, parece sensato agora um amplo debate com a opinião pública. Porque é ao povo que o Teatro se destina e uma obra dessa envergadura é para sempre. Uma mudança de local gerará problema também para o conjunto do Complexo Marco Zero, que certamente terá de ser alterado, e é também dever do poder público facilitar a implantação de empreendimentos privados, em consonância com as políticas municipais de incentivo.
O Teatro Municipal dependerá de verba federal, e anuncia-se que com o envio ao Ministério da Cultura dos projetos complementares (o que a Prefeitura deverá fazer até o fim deste mês), a primeira cota será liberada. Por ora a ideia de mudança é ainda encenação de bastidores, mas a comunidade precisa ficar atenta e participar do processo como protagonista.





