A idealização do prazer
É um mito ou é uma realidade? Essa preocupação com o orgasmo tem se tornado uma busca tão obsessiva que só dificulta a vivência do prazer. É importante lembrar que o orgasmo feminino é mais difuso, não tão localizado como o orgasmo do homem, mais relacionado com o momento ejaculatório.
É importante a mulher reconhecer que ansiedade elevada e preocupação com essa busca da realização do prazer, dificulta o orgasmo que necessita, para ser atingido, um ambiente de descontração e alegria, onde não exista pressa ou cobranças, tanto do homem como da mulher.
Freud, o pai da psicanálise, acreditava que a mulher mais insegura, considerada imatura, só conseguia o prazer através da estimulação clitoriana. Por outro lado, a mulher amadurecida, mais segura emocionalmente, experimentava os orgasmos mais profundos, com sensações por toda a vagina e eram psicologicamente mais saudáveis.
Evidentemente que esta teoria gerou uma série de polêmicas e levou muitas mulheres a fazer tratamento psicológico durante anos, para conseguir esse orgasmo normal e maduro. Até que nos anos 60, um casal de ginecologistas americanos, Masters e Johnson e depois Helen Kaplan, se dedicaram ao estudo dessas questões e começaram a perceber que 70% das mulheres que referem um intenso desejo sexual tem no clitóris o seu ponto principal que funciona como elemento desencadeante e irradiador da excitação e sensações sexuais prazerosas, tipo ondas, que podem ficar restritas à área genital, mas dependendo da disponibilidade afetiva da mulher podem se espalhar pelo corpo todo causando uma sensação agradável até com redução do campo da consciência (sensação de desligamento do mundo real), que é o verdadeiro orgasmo.
A referência de prazer ou gozo em áreas específicas dentro da vagina é algo mais raro, mas altamente prazeroso quando acontece. Afinal de contas, não importa onde começa ou termina o prazer.
Em 1950, um ginecologista alemão Ernest Grõfenberg alegou ter descoberto um ponto ou protuberância na parte anterior e superior da vagina, que quando estimulado provoca um intenso prazer e que chamou de ponto G. A partir daí essas preocupações com o orgasmo que já eram polêmicas e na maioria das vezes difícil de serem resolvidas, ficaram ainda mais complicadas.
A maioria dos ginecologistas, psicólogos e sexólogos, não encontraram estudos que comprovam a existência de tal ponto. O casal que se mostra curioso e interessado em encontrá-lo, deve procurá-lo dentro de um clima de brincadeira e descontração, senão vira uma neurose.
É importante lembrar que estados de preocupação e ansiedade excessiva em agradar ou ser agradada sexualmente, funciona de forma negativa, ou seja, bloqueia ou inibe o desejo, reduz a excitação sexual e o orgasmo dificilmente passa a ser atingido; e um círculo vicioso se repete toda vez que o casal vai para a cama.
O importante é desfocar a preocupação com o orgasmo e desfrutar da intimidade. O corpo humano quando bem tocado, surpreende pelos inúmeros pontos prazerosos que poderiam ser chamados de G, H ou Y. Infelizmente os casais passam a vida toda juntos e não descobrem esses mistérios da sexualidade.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro A pílula do prazer





