Enquanto a parte serena do mundo condena a vontade de George W. Bush de invadir o Iraque, o presidente dos EUA já dispõe de 300 mil soldados estacionados no Golfo Pérsico, todos com a garganta muito seca e o dedo suado no gatilho. O presidente trata de agir, aparentemente por não compreender como é que o dirigente da maior potência da atualidade necessita de autorização do Congresso e endosso de outros organismos para atacar alguém.
O desafio do mundo que não quer a guerra é dissuadir Bush do desejo de dar uma surra ''naquele bandido'' do Saddam, expulsá-lo dali e implantar nas velhas e poeirentas terras da Mesopotâmia a ''verdadeira democracia''; os líderes da paz também gostariam, ao mesmo tempo, de convencer Saddam a extinguir a ditadura e respeitar os direitos humanos de todos os tipos. Mas Saddam não teme ninguém e não engole a arrogância dos ''filhos do demônio'' que só querem seu petróleo.
Quem é que pode com eles? Ontem, o Papa João II novamente entrou no circuito incitando à oração e ao jejum, ''para implorar pela paz no mundo'' e para que haja ''um esforço comum que evite à humanidade outro conflito dramático''. Depois, em carta mandada a Washington, pediu calma a Bush.
Mas Bush disse ao representante do Papa que está determinado a desarmar Saddam, pois assim ''o mundo seria melhor''. Em outras palavras, ele repetiu a idéia que tem sobre os pedidos do líder católico: não têm a menor influência nas decisões da Casa Branca. Bush é metodista, texano, cowboy e tem ódio de Saddam.
O Papa tem o dever de tentar parar Bush. Mas outras pessoas podem também ser bem-sucedidas, como os cerca de 120 loucos-santos que apareceram ontem em Bagdá no meio de um desfile de milhares de soldados mobilizados. ''Vou morrer defendendo o Iraque e Saddam Hussein, do Tibre ao Eufrates'', disse Khaldum, um candidato a camicase de 23 anos que levava um lenço branco, símbolo de sua disposição para o martírio.
Na defesa do bom senso da paz que evita a idiotice da guerra, vale apostar no resultado da ação até dessas figuras extremas da história da humanidade. Tais como o Papa ou dirigentes de organizações como a ONU, elas podem orientar uma decisão, pelo significado do seu gesto.
A paz pode ser mantida, também, na repetição da singela contrapropaganda operada nos anos da Segunda Guerra. Ontem, aviadores americanos e ingleses lançaram sobre o Sul do Iraque folhetos pedindo aos militares iraquianos que desertem e não combatam. Um dos textos recomenda às tropas que não coloquem em risco suas vidas: ''Voltem para casa agora''.
Alguma iniciativa tem que dar certo. A humanidade quer paz.

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