Até há pouco tempo o Brasil só frequentava a mídia internacional em função de seus aspectos mais negativos: meninos de rua, sem-terra, violência nas grandes cidades... Notícias positivas, muito raramente. Em geral, o tema era futebol.
Hoje a abordagem de nosso país pelos meios europeus de comunicação já tem sido mais condescendente. Embora se veja, de vez em quando, um documentário sobre as tristes realidades brasileiras, temos aparecido, constantemente, como um país emergente com grande potencial.
Para esta reversão do quadro, ajudou a visita do presidente francês Jacques Chirac ao Brasil, ajuda cada divulgação sobre as grandes montadoras se instalando no Brasil, ajuda muito o sucesso do Mercosul. No cenário internacional, no entanto, o melhor marketing fica por conta do presidente Fernando Henrique. Ele nos garante uma incomum e inusitada credibilidade: a certeza que o Brasil trilha um caminho irreversível de redemocratização.
No dia em que Chirac chegou ao Brasil, foi publicada aqui na França uma belíssima ‘‘Carta ao Povo Francês’’, assinada pelo presidente Fernando Henrique. A dignidade e a seriedade da missiva comoveu a todos: a nós, os brasileiros que aqui vivemos, e aos franceses, que comentavam, entusiasmados, o que o próprio presidente havia escrito.
Do ponto de vista econômico, a queda da inflação a estabilidade da moeda transformaram o Brasil em um país não só viável, mas extremamente atraente à comunidade internacional. A abertura de suas fronteiras, a privatização dos setores básicos, a aprovação da lei que assegura o direito sobre a propriedade industrial e intelectual, bem como a que equipara o capital estrangeiro ao capital nacional, nos trouxeram ao ‘‘ranking’’ dos países emergentes.
O que se pode perceber hoje, por outro lado, é que o Mercosul constitui o mercado mais importante para o empresário europeu. Além de todas as suas próprias condições, conta ponto também as dificuldades que enfrentam hoje os países do Leste Europeu e a verdadeira ‘‘invasão’’ dos produtos asiáticos nas prateleiras européias. Sobrepõe-se a tudo isto a possibilidade de a União Européia fazer frente aos Estados Unidos na América Latina.
Dentro do Mercosul, sem dúvida, o Brasil desponta como o grande mercado do Terceiro Milênio. Aí podemos elencar um sem-número de razões de toda ordem: o parque industrial já instalado, as condições geográficas, demográficas, a formação da mão-de-obra, o potencial natural. A ida das montadoras para o Brasil, por exemplo, é uma boa amostra do interesse que nosso país desperta aqui fora.
E temos por onde aparecer. A representação do Brasil na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial vem sendo mantida pelo Sebrae Nacional e pela Confederação Nacional de Industrias há seis anos. Resulta da visão estratégica destes órgãos, no sentido da internacionalização da pequena e média empresa. No passado, os representantes eram obrigados a fazer um grande esforço para conseguir uma transferência de tecnologia. Não era fácil explicar a sobrevivência em tempos de inflação, as mudanças repentinas nas regras do jogo, a instabilidade das instituições. Mesmo assim, já foram 27 associações feitas de 1992 a 1996; mais de 600 projetos promovidos. Hoje a situação mudou muito e para melhor: o primeiro semestre do ano de 1997 encerra com quase 300 novos projetos, dos quais quase cem são de ofertas francesas; cerca de 20 são de outros países europeus.
Temos sido intensamente procurados pelas entidades empresariais locais para falar sobre o Brasil, setores específicos do mercado e o Mercosul. Empresários europeus apresentam seus projetos e buscam, preferencialmente, um parceiro nacional; mas já vão logo anunciando que, se não o encontrarem, instalam-se sozinhos. No último caso, perde a indústria brasileira, justamente a empresa que enfrentou a inflação, a recessão e bancou empregos no momento mais difícil.
Fica claro que o mais conveniente agora, já que a abertura é irreversível e desejada, é trabalhar com urgência sobre as possíveis parcerias: elas representam o jogo do ‘‘ganha-ganha’’. Só neste meio ano, já estamos com 18 negociações em andamento. O setor de alimentação vence disparado na frente. O setor que solicita mais urgência por aqui é o de fornecedores de carros: monta-se agora um verdadeiro tabuleiro de jogo de xadrez, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, com as montadoras e suas fornecedoras.
É bom lembrar também que vários organizadores de exposições têm procurado ter o Brasil como um país em destaque. Da mesma forma as redes de lojas de departamento, que propõem promoções especiais para nossos produtos e nosso país; enfim, temos muito o que mostrar.
O momento é estratégico para se desencadear uma ação integrada de promoção internacional de nossos setores produtivos. Efetivamente, a hora é do Brasil.

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