Neste momento desejo publicamente manifestar o significado de uma decisão coletiva que, sem dúvida, está repercutindo em todo o planeta. O mundo está hoje olhando para o Brasil. E se alguns insistem na idéia de que os motivos para isso, são a desconfiança, o medo, os riscos de um desequilíbrio econômico e político perante as grandes potências, ou a aposta na incapacidade de governar por uma lógica democrática, voltada aos interesses da maioria da população, tenho certeza de que o mundo olha para o Brasil hoje, como também os brasileiros, com a mesma sede de esperança e de vitalidade que todo povo precisa ter e sentir para encontrar as razões de sua própria existência, do espaço que cada habitante desse planeta deseja e tem o direito de ter para que possa desenvolver suas potencialidades, inteligências, sentimentos, valores, na perspectiva de reproduzir e multiplicar vidas e não a continuidade do desespero que toma conta das pessoas pela crueldade cometida com um 1/3 dos 6 bilhões de habitantes do nosso planeta, incluindo aí os quase 100 milhões de brasileiros em situação de pobreza (60%).
A mesma firmeza, convicção e sensibilidade do nosso presidente eleito ao falar sobre o necessário Pacto Nacional pelo Brasil na construção de um novo modelo de desenvolvimento que compatibilize distribuição de renda e crescimento econômico, mostra-se também na decisão de perseguir imediata e implacavelmente a luta pelo combate ao flagelo da fome. E, no atual contexto, isso não é qualquer coisa.
Muitos pensadores brasileiros vêm discutindo, diante da nossa realidade, a emergência de uma divisão drástica entre grupos humanos. Fala-se já de uma raça e de uma sub-raça, essa que tem sido a massa sobrante da sociedade, descartável na sociedade de consumo -os excluídos dos direitos mais fundamentais. No chamado mundo globalizado e tecnologicamente modernizado, vai se incorporando a pobreza como um fenômeno natural, rumo à banalização dos valores e necessidades mais elementares para a vida. Mas num movimento sempre contraditório e que felizmente tem ganhado força, está o sentimento e a consciência de que um outro mundo é possível.
Daí, a explosão desse maremoto de esperança pelo que poderá vir a acontecer nesse país. Tenho convicção de que não foi um partido, uma pessoa e/ou uma proposta que venceu essas eleições, mas o conjunto da sociedade brasileira, amplos setores organizados de trabalhadores, de empresários, das instituições democráticas e populares, de vários partidos políticos, de homens e mulheres que acreditam na possibilidade de transformação do nosso país e que colocaram todos os interesses no bem comum, que compreenderam que a própria vida não tem sentido quando há cidadãos e não cidadãos, incluídos e excluídos.
A alegria e a emoção que toma conta de milhões de brasileiros hoje é a expressão de um sonho acalentado, há pelo menos 13 anos, da construção de um projeto de sociedade que pretende devolver e desenvolver em cada pessoa deste país a responsabilidade, o sentimento de participação e decisão, portadores de cidadania na conquista de uma vida autêntica, em que cada criança, cada jovem, cada mulher e homem, cada profissional e político, sintam-se chamados a cumprir em seu dever em obediência à Constituição brasileira e à lei natural, a lei de Deus, que diz que o tema é de todos nós e que aqui deve haver oportunidade e garantia de vida plena.
Se a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva representa tanta esperança para o povo brasileiro, não é diferente para o povo do Paraná que, elegendo Roberto Requião, deposita grande confiança e nutre expectativas positivas no sentido de que os 399 municípios deste Estado serão envolvidos na discussão, na execução e no controle social das políticas públicas, no controle democrático do orçamento e dos investimentos, rompendo-se, assim, o ciclo autoritário e centralizador do poder.
Todos somos chamados a transcender os interesses menores, nossa imaturidade política e as disputas obscuras se de fato desejamos realizar a democracia e o projeto político de um país que pode e deve ser de todos.
MÁRCIA LOPES é vereadora em Londrina pelo Partido dos Trabalhadores

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