A esta altura o que os agricultores desejam não é homenagem do Governo mas a adoção de políticas agrícolas consistentes, que garantam a estabilidade deste setor da produção. A homenagem de que se fala partiu do presidente Lula ao lançar no Paraná o H-Bio, o novo óleo biodiesel da Petrobras que resulta da mistura vegetal com petróleo. Ele declarou que o fazia em tributo aos produtores paranaenses de soja. Os pleitos da agricultura continuam e são constantes, e com a ausência de chuva no Paraná, nova perda de safras se prenuncia, antevendo-se grande prejuízo, não apenas para os produtores mas para a economia nacional. Más condições do tempo, como as secas, não afetam tão desastradamente outros setores como a atividade rural, atingindo grandes e pequenos lavradores e prejudicando também a pecuária, pelo definhamento das pastagens. Se o presidente disse, durante a solenidade, que para a produção do biodiesel vai precisar de toda a soja produzida por Blairo Maggi (governador de Mato Grosso, grande produtor e presente ao ato) e da soja que Roberto Requião diz não querer aqui no Paraná (a transgênica), certamente deve saber da importância dos produtos da terra, e óbvio que não apenas para a adição ao combustível mas para alimentar os brasileiros e gerar divisas externas. A queda, no Paraná, é estimada em 50% na produção do milho da safrinha e de 25% na produção de trigo, pelo cálculo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). Como se previa, houve redução do plantio de trigo em 21%, e no momento 85% da plantação estão em fase de germinação e de desenvolvimento vegetativo. E ademais enfrentando outra seca, porque isto já aconteceu na safra passada. A estiagem também traz mais pragas. E a previsão é de que as próximas chuvas serão poucas. Com relação ao milho, a área cultivada reduziu-se em 20%. Então, a homenagem que o presidente da República pode prestar aos agricultores e ao Brasil será atentar para esses fatos. Um grupo de trabalho esteve reunido em Brasília a fim de acompanhar as medidas governamentais para amenizar a situação do campo. A época é de campanha eleitoral e o presidente-candidato poderá valer-se de todos os oportunismos eleitoreiros que desejar se estes venham beneficiar a produção rural. Porque investir na cadeia produtiva alimentar (e agora acenando também para combustíveis alternativos) é sempre uma boa aplicação. O Governo que entre com sua parte, que o produtor dará sua resposta positiva. Quanto a isso, não restam dúvidas. Se Lula quer exercer Governo com maestria no tempo que lhe resta deste mandato e no próximo já bastante provável, pelo indicativo das pesquisas deve dar prioridade à causa dos produtores rurais, porque a prosperidade em todos os demais setores virá por acréscimo. Porque diga-se à exaustão quando o campo vai bem tudo o mais irá bem.

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