Após passados 2 mil anos, é justo e necessário resgatar, mesmo que parcialmente, a divina e santa história dos essênios, essa homogênia comunidade religiosa que teve participação para o advento do tão aguardado e grande Messias, Jesus Cristo. Estranhamente, essa civilização não foi lembrada com o devido destaque nos escritos bíblicos, sendo citada duas ou três vezes de forma bem acanhada e inexpressiva, apesar de ter vivido antes, e nos tempos de Jesus, no Egito e em Israel.
A comunidade essênia surgiu no Egito nos tempos do grande Faraó Akinatón, pelos anos 1200 e 1300 antes de Cristo, segundo fontes históricas complementares, colhidas nas cidades do Cairo (Egito) e também em Israel, durante viagem que fiz em setembro àqueles países, enriquecendo ainda mais os estudos e pesquisas que tenho feito há mais de 25 anos sobre os essênios.
Segundo a antiga história da milenar civilização egípcia, o Faraó Akinatón, mesmo assumindo o poder máximo do Egito, não se convencia sobre a prática de adoração de seu povo a inúmeros deuses e isto era praticado durante todas as dinastias de seus antecessores. Revela a história que em dado momento Akinatón foi agraciado com uma convincente revelação divina, da existência de um único Deus, o criador de todas as coisas. Diante dessa iluminada revelação, Akinatón teve a coragem histórica de baixar um decreto, proibindo a adoração de tantos outros deuses, oficializando a adoração a esse Deus único e verdadeiro.
Como também no Egito da época existiam várias facções religiosas-fanáticas, sua grande maioria não acatou essa decisão do faraó, resultando no seu assassinato algum tempo depois. Todavia, a semente por ele plantada frutificou mesmo que numa pequena parcela da população. Mais tarde, essa parcela ficou conhecida como os essênios.
A religião essênia não teve grande número de adeptos porque não era um segmento religioso popular. Tinha normas a serem observadas. Para ser um membro da comunidade, o candidato tinha que passar por estágios de preparação e provas de comportamento, boas intenções e elevado espírito comunitário, tudo na linha da justiça, do amor e da verdade.
Passados alguns séculos, isto em torno de 500 a 700 anos antes de Cristo, um segmento da comunidade essênia mudou-se para Israel, indo morar inicialmente em Qumran, ao norte do Mar Morto, bem próximo de Jericó.
Mais tarde, algumas famílias essênias mudaram-se de Qumran para o Norte de Israel, na região de Nazaré, na Galiléia, onde continuaram a viver em harmoniosa comunidade e com elevado espírito de solidariedade entre si. Eram muito dedicados aos estudos, sempre em busca do aperfeiçoamento espiritual que herdaram de seus antecessores.
Também eram trabalhadores normais no plantio e na produção de alimentos. Os casamentos só aconteciam entre essênios, segundo relata a antiga história de Israel. Eles acreditavam na vinda do Messias como estudavam nos escritos dos profetas e como várias famílias essênias residiam em Nazaré e imediações, apesar do silêncio bíblico, fontes históricas revelam que João Batista (aquele que batizava o povo no Rio Jordão), José, Maria e seus pais, a prima Isabel, o velho Simeão, José de Arimatéia, João e Lucas evangelistas e o outro João – a quem Jesus amava muito – todos eram essênios e por conseguinte, Jesus também era um essênio.
Como vemos, segundo a história, Deus preparou esse povo, essa santa civilização, para que no seu seio nascesse o seu Divino Filho.
Há uma outra importante passagem histórica que também está na Bíblia, sem a devida e correta explicação, que marca claramente a presença dos essênios: foi quando Herodes, governador do Império Romano em Israel, determinou a matança de todas as crianças na época, na idade do Menino Jesus. Naquele momento, o Anjo de Deus determina que a Sagrada Família fuja para o Egito, pois lá o menino e seus pais estariam a salvo porque seriam acolhidos de forma fraterna pelos essênios que residiam naquele país.
Outra manifestação da presença essênia, agora já em pleno ministério de Jesus em Israel, foi quando o apóstolo João informou a Jesus dizendo: ‘‘Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demônios, o qual não nos segue e nós lhe proibimos.’’ Jesus respondeu: ‘‘Não o proibais porque ninguém que faça milagre em meu nome, possa falar mal de mim. Porque não é contra nós, é por nós.’’
A história revela, mais uma vez, a participação de um essênio e de tantos outros na vida e no ministério de Jesus Cristo. Neste resumido relato histórico, para que se faça a devida justiça, vemos a divina participação dos essênios nos planos de Deus, com o nascimento, vida e pregação de Jesus, cuja mensagem já era norma de vida espiritual dos essênios. Essa civilização religiosa, aos poucos foi se diluindo, já que sua missão estava cumprida, dando lugar ao ministério de Jesus e posteriormente, com seus apóstolos e tantos outros convertidos.
- ANTONIO ROBERTO é aposentado em Londrina

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