A HISTÓRIA DE EDSON - Edson descobriu a homossexualidade e viu o mundo desabar
Edson Bezerra, 43 anos, lembra da adolescência como os anos mais difíceis da vida dele. Filho de um ''nordestino tradicional, daqueles bem machistas'' e morando numa cidadezinha do interior, Edson viu o mundo desabar com a descoberta da homossexualidade.
''Eu sempre fui diferente. Gostava de coisas de mulher e de ficar no meio das mulheres. Uma vez, aos 11 anos, estava numa festa e vi minhas primas se arrumando para ir rezar o terço. Passei lápis nos olhos e batom e fui brincar, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Lá pelos 12 anos eu comecei a reparar que meu comportamente era diferente dos outros meninos. Eu não participava das brincadeiras deles, estava sempre com a minha mãe, gostava de arrumar a casa, cozinhar... Aos 14 anos me apaixonei por um rapaz e foi recíproco. Ele era neto do diretor da escola e a situação virou um inferno. Fui transferido para outra escola e o diretor foi falar com meu pai. Quando eu cheguei em casa, estava aquele clima. Não teve conversa, meu pai deu um ultimato: ou eu mudava ou a porta da rua era a serventia da casa. Eu bem que tentei, cheguei a namorar uma menina mas percebi que estava enganando todo mundo e a mim mesmo. A coisa mais difícil deste mundo é tentar ser uma pessoa que você não é! A pressão foi ficando cada vez maior. Meu pai chegou a me levar a um hospital para que eu fosse 'curado'. Quando o médico disse que aquilo não era doença, ele achou que então era sem-vergonhice. Fui expulso de casa. Virei travesti e meu pai ameaçou me matar. Tive que sair da cidade. Eu tinha 15 anos. É tão duro na fase da adolescência a gente não ter o alicerce da família. Era prá eu ter sido uma pessoa agressiva, marginal, porque eu sofri muio. Meu pai ficou 20 anos sem falar comigo. Nem meu irmão me aceitava. Só minha mãe e um tio ficaram do meu lado. Hoje nós somos todos amigos mas aqueles anos foram muito difíceis. Mesmo assim, acho que fiz o que era certo. Todo mundo deve assumir aquilo que é. Não obrigo ninguém a gostar de mim mas quero respeito''.





