A hilariante baixa dos juros
Chega a ser hilariante a notícia divulgada ontem pelos jornais de que os juros bancários, hoje, são os menores dos últimos onze anos contagem que o Banco Central faz ao juntar os oito do Governo FHC e os três do Governo Lula. Como se fosse algo extraordinário, no país que cobra os mais altos juros do mundo, a taxa anual dos empréstimos bancários cair de 48,2% em outubro para 47,1% em novembro. Seria como retirar alguns milímetros a lâmina da faca cravada profundamente na carne. Outras ''grandes'' quedas foi o do crédito pessoal, que caiu de 70,3% ao ano para 68,7%; do empréstimo a pessoa física, de 61,7% para 60,4%; do empréstimo para aquisição de bens, de 59,1% para 56,4%, e assim por diante. Quando a inflação oficial é de pouco mais de 5% ao ano, e a caderneta de poupança paga menos de 1% ao mês, é revoltante a nação ter de pagar tamanha exorbitância de juros. Enquanto ocorreram aquelas migalhas de baixas, o cheque especial deu uma salto para cima: de 148,6% ao ano em outubro para 149,2% em novembro, ou a média de 12% ao mês. Como esta modalidade de recurso é utilizada por muita gente, incluindo empresas porque a necessidade obriga pode-se imaginar porque é tão difícil a maioria dos cidadãos e pequenos empresários brasileiros saírem do estado permanente de crise financeira. Valer-se do cheque especial, por necessidade extrema ou pelo imprudente exercício de um luxo é contrair o mais oneroso dos empréstimos, pelos quais os bancos agradecem. As vendas a prazo, no comércio, seguem o diapasão do sistema financeiro e embutem juros altíssimos, incompatíveis com a realidade salarial da grande maioria dos que compram. A sedução da possibilidade de levar um produto para casa, sem entrada no ato e prestações baixas (porém numerosas) arrasta o consumidor para momentos de apertura mais tarde, obrigando-o a cortes na aquisição de gêneros de necessidade mais urgente. A afirmação de que o preço à vista é o mesmo do preço a prazo, como muitas lojas afirmam, não é convincente, pela matemática simples de que o comércio também se vale de recursos externos para ao giro dos negócios, e nessa ciranda não há generosidades. O alarde que o Banco Central faz pela ocorrência de uma pífia baixa de juros num universo de tão elevada estatura de especulação financeira, como a do Brasil, é mais um lance eleitoreiro, semelhante ao da antecipação do pagamento da dívida com o FMI. Pequenas medidas, de efeito inexpressivo parecidas com esta da queda de juros em alguns pontinhos porcentuais deverão ocorrer com grande frequência em 2006, o ano da corrida para a reeleição presidencial.





