A conta da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã já chegou ao bolso dos brasileiros, como foi previsto logo no primeiro dia dos ataques coordenados em solo iraniano, em 28 de fevereiro de 2026, com aumento no preço dos combustíveis.

Podemos dizer que a guerra no Irã desencadeou uma batalha interna no Brasil. De um lado estão os postos de combustíveis, que relatam escassez de produtos e altas sucessivas nos preços, e na outra ponta, as distribuidoras, que justificam os aumentos com a disparada do preço do petróleo no mercado externo.

Entre os dois personagens deste conflito interno, quem paga a conta é o consumidor, que enfrenta novos reajustes a cada passagem pelo posto para abastecer o veículo. As maiores variações, até o momento, ocorreram no diesel S10, que em Londrina já chega a quase R$ 8,50 o litro.

Na tentativa de resguardar a credibilidade dos revendedores de combustíveis diante da opinião pública, a Paranapetro, entidade representativa da categoria no Estado, tem reforçado, desde o início do conflito no Oriente Médio, que os aumentos frequentes observados nas bombas pelos consumidores são necessários para cobrir as altas aplicadas pelas distribuidoras.

O governo federal apura se há formação de cartel. No último dia 12 de março, uma força-tarefa foi montada para reforçar o monitoramento e a fiscalização do mercado de combustíveis. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), juntou-se à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e à Secretaria Especial da Receita Federal para coibir eventuais abusos. Nesta semana, mais um órgão passou a integrar a força-tarefa. A PF (Polícia Federal) anunciou a instauração de inquérito para apurar irregularidades nos preços.

O governo federal garante que não houve aumentos na Petrobras e salienta que, além do arranjo de cooperação entre ministérios e órgãos federais organizado para acompanhar a cadeia de abastecimento a ampliar a transparência no setor, foi editada, na semana passada, a Medida Provisória nº 1.340, que concede subvenção ao combustível para produtores e importadores.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuiu os aumentos dos combustíveis à especulação e disse que muitas distribuidoras que haviam reajustado os preços, não reduziram após o anúncio das medidas do governo para conter a alta. O governo zerou o PIS e a Cofins, únicos impostos federais incidentes sobre os combustíveis, e anunciou subvenção ao produto. A Senacon também vem reforçando para que os Procons intensifiquem as fiscalizações nos estados e municípios.

Em meio à alta do diesel, começa a ganhar corpo a mobilização para greve dos caminhoneiros. Eles avaliam que as medidas do governo federal não tiveram resultado prático e a deflagração da paralisação das atividades já teria sido deliberada em assembleia, com a adesão de autônomos e profissionais contratados por transportadoras.

O cenário apresentado acima significa muito mais do que um efeito colateral de um conflito internacional. É uma crise séria que se desenha expondo as fragilidades do mercado de combustíveis no Brasil e a dificuldade histórica de proteger o consumidor em momentos de instabilidade global. Enquanto governo, órgãos de fiscalização e agentes do setor trocam responsabilidades e anunciam medidas, o impacto segue direto e imediato no cotidiano da população.

A sociedade precisa de respostas emergenciais. O momento exige transparência efetiva, rigor na fiscalização e, sobretudo, políticas consistentes que reduzam a vulnerabilidade do país às oscilações externas.

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