A guerra eleitoral
Os últimos lances da corrida presidencial no Brasil sugerem que a disputa pela sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso poderá se transformar num espetáculo marcado pelo baixo nível e escassez de propostas. Pelo que se vê, pouco importa se as denúncias ventiladas na imprensa têm fundamento (como a suposta participação da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, em desvios na Sudam) ou são meramente eleitoreiras (a tentativa de relacionar a invasão da fazenda de Fernando Henrique, feita pelo MST, ao Partido dos Trabalhadores).
O que vale, na lógica dos marketeiros políticos, é o impacto que os escândalos podem provocar no coração do eleitor, refletindo diretamente nas urnas.
O primeiro alvo abatido dessa guerra não declarada foi justamente a filha do ex-presidente José Sarney. A imagem dos R$ 1,3 milhão, seperados em maços de R$ 50, colou na cabeça do eleitor e praticamente inviabilizou o sonho presidencial da governadora. O dinheiro foi apreendido pela Polícia Federal na sede da empresa Lunus, da própria Roseana.
Pesquisa da CNT/Sensus, divulgada na edição de ontem da Folha, mostra o rombo no casco do PFL. A governadora maranhense despencou de 24,5% das intenções de voto em fevereiro para 17,3% este mês. Já o candidato tucano José Serra capitalizou: subiu de 9,2% para 15,3%.
Lula, por enquanto, continua líder, com 25,9% batendo inclusive qualquer um dos pré-candidatos em projeção para um eventual segundo turno. Mas isso se a eleição fosse hoje. Até outubro, muita água e muita baixaria deve rolar.
Lúcio Horta





