Sentimentos muitos são percebidos em uma guerra. Vão desde a dor e vingança à compaixão e amor. As pessoas que estão em contato direto com a guerra sofrem muito, suas marcas permanecem para sempre. Nem mesmo o tempo, senhor que condena os irresponsáveis e que coroa os sábios, consegue apagar suas máculas. Entretanto, saber disso não basta, é preciso aprender. Questionam-se então, os primeiros sentimentos são causados pelo quê e por quem? Quais os motivos que levam uma mesma idéia a correr o mundo e unir pessoas diversas? O que se pode aprender com tudo isso?

O poder pertence ao povo. Para melhor solução das necessidades sua titularidade é transferida ao Estado, que o exerce através dos eleitos. Assim, tudo deveria se estabelecer na mais perfeita harmonia. Porém, os homens são falhos e perecem diante de tentações e do poder, e, assim, o povo sofre com doenças, falta de infra-estrutura básica e oportunidades. Com o mundo apenas a um clique ou a uma notícia, todos podem estar conscientes do que acontece no globo. Além da informação, quase tudo rompe as fronteiras. Isso causa muita preocupação, e, assim como o amor pelo próximo, mesmo que este seja desconhecido, o medo também aparece. As pessoas então são conduzidas a se manifestarem, a se unirem por um objetivo, um futuro melhor, e o desejo mais íntimo de paz é evidenciado.

Nada obstante, a guerra há de acabar. O domínio se restabelecerá encoberto por uma ajuda, escondendo os males que ele mesmo causa. As populações de todas as nações voltarão suas atenções para o cotidiano e, sem se darem conta, pouco terão aprendido com o acontecido, pouco farão para que se evite novos atos contra a humanidade, contra si mesmos.

É preciso aprender com as situações. O povo que sofre é o mesmo que escolhe seus líderes, que aceita a perpetuação nos governos, a restrição de direitos, que passivamente e na ignorância não questiona e não age, que prefere o individualismo, o egoísmo. É preciso conhecimento e ação firme para evitar o próprio sofrimento futuro. Se o povo iraquiano sente as consequências da guerra é por sua própria inação e ignorância; se o povo americano lamenta o 11 de setembro de 2001, é unicamente sua a responsabilidade, afinal, observa apenas o próprio umbigo, é egoísta e cultua o materialismo, ''elege'' um homem sem responsabilidade e o deixa fazer de tudo; se há altos índices de criminalidade na nossa cidade, é porque o próprio povo aceita ou até reclama, mas apenas com o ''cumpadi''.

São necessários cidadãos para um país decente, ou seja, pessoas que pensam e atuam. É preciso se manifestar contra a guerra e contra atos diários que fazem mal ao ser humano. Prestemos atenção também nas causas e não apenas nas consequências, atenção para nossos lares e cidades, pois quem sabe, pode-se descobrir que há mais males contra adultos e crianças perto de nós que nos desertos iraquianos. Se o poder pertence ao povo, ou seja, todos em união, por que se aceita individualmente o sofrimento? Conheça para poder exigir, reflita para viver, e seja responsável pelo hoje e pelo amanhã.

JOSSAN BATISTUTE é advogado e aluno de pós-graduação em Direito Empresarial pela Universidade Estadual de Londrina

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