A Guerra do Vietnã teve a participação de forças de importância mundial - neste caso, do poder capitalista e ocidental contra o comunista. Era como uma Guerra Fria local, e o avanço comunista na Ásia preocupava os Estados Unidos.
Em 1954, a Conferência de Genebra reconheceu a independência do Vietnã, que integrava a Indochina, colônia de bandeira francesa no sudeste da Ásia. A independência foi conseguida após muita luta entre franceses e os guerrilheiros do Viet Minh (liga vinculada ao Partido Comunista).
Reconhecido, o país ficou dividido em dois: a República Democrática do Vietnã (capital em Hanói), ao norte e pró-comunismo, e a República do Vietnã (capital em Saigon), pró-ocidente, ao sul. Dois anos mais tarde, em 1956, deveria realizar-se um plebiscito para que o país fosse unificado. Mas, um golpe militar levou o sul vietnamita à ditadura, com o apoio norte-americano.
A forte política de repressão, dificuldades econômicas e outros fatores levaram ao surgimento e crescimento de movimentos de oposição. O principal deles, a Frente de Libertação Nacional, era pró-comunista, tinha o apoio do Vietnã do Norte e contava com um exército de guerrilha: os vietcongues.
Para conter o avanço da oposição, os Estados Unidos entraram no conflito, enviando conselheiros militares para apoiar o governo ditatorial. A guerra acabou envolvendo o Vietnã do Norte em 1964, quando os Estados Unidos alegaram que embarcações suas tinham sido atacadas por lanchas norte-vietnamitas. Já era 1965 quando os norte-americanos passaram a bombardear sistematicamente a República Democrática do Vietnã.
Em 1967, contavam-se 400 mil soldados norte-americanos combatendo no Vietnã. Mas o número não impediu o fracasso da campanha dos Estados Unidos. Em 1968, além de um ataque-relâmpago à embaixada norte-americana, ocorreu a Ofensiva do Tet (o ano novo vietnamita), comandada por soldados norte-vietnamitas e vietcongues. Com estratégias melhor elaboradas, eles chegaram a alcançar Saigon, capital do sul, e algumas outras cidades de grande importância.
O coronel norte-americano David Hackworth, combatente mais condecorado no Vietnã, observou, a respeito da tomada definitiva de Saigon (que aconteceria anos mais tarde), que as tropas do norte eram as mais motivadas que ele já vira. ‘‘Eles estavam lutando por independência, assim como os norte-americanos em 1776 lutaram contra os britânicos. Eles queriam seu país livre da opressão estrangeira.’’
A partir de 1969, após a eleição do republicano Richard Nixon, e até 1973, o plano dos Estados Unidos foi retirar gradualmente suas tropas e, ao mesmo tempo, realizar pesados ataques, principalmente ao norte. Laos e Camboja, que fazem fronteira a oeste, também sofreram intervenções militares norte-americanas. A intenção imediata era acabar com a ‘‘Trilha de Ho Chi Minh’’, usada para o abastecimento dos vietcongues.
Nesse período de contra-ofensiva, os Estados Unidos utilizaram armas proibidas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Entre elas, bombas químicas com alto poder de destruição, como a de napalm que atingiu o templo budista em que Kim Phuc estava.
Em 1973, os acordos firmados durante a Conferência de Paris estabeleceram o fim da participação norte-americana no conflito. Agora localizada, a guerra durou até a rendição do governo do sul aos vietcongues em 1975. Em abril deste ano, os últimos remanescentes ianques deixaram Saigon, que passara a chamar-se Ho Chi Minh. O último militar norte-americano conseguiu salvar-se saindo pelo telhado da embaixada. O país foi então reunificado sob o regime comunista e passou a designar-se República Socialista do Vietnã.
Em quase 12 anos, os Estados Unidos perderam 58 mil vidas, mais de US$ 150 bilhões e o apoio popular. Ainda hoje, a ofensiva é considerada o maior fracasso militar da história norte-americana.




NO CINEMA
Para saber mais
sobre a guerra
- ‘‘Apocalypse Now’’ (idem), 1979. Direção de Francis Ford Coppola. (Há também ‘‘Apocalypse Now Redux’’, versão reeditada do diretor, de 2001.)
- ‘‘Kissinger e Nixon’’ (‘‘Kissinger and Nixon’’), 1996. Direção de Daniel Petrie.
- ‘‘Nascido em Quatro de Julho’’ (‘‘Born on the Fourth of July’’), 1989. Direção de Oliver Stone.
- ‘‘Nascido para Matar’’ (‘‘Full Metal Jacket’’), 1987. Direção de Stanley Kubrick.
- ‘‘O Franco-Atirador’’ (‘‘The Deer Hunter’’), 1978. Direção de Michael Cimino.
- ‘‘Os Rapazes da Companhia C’’ (‘‘The Boys in the Company C’’), 1978. Direção de Sidney J. Furie.
- ‘‘Pecados da Guerra’’ (‘‘Casualties of War’’), 1989. Direção de Brian de Palma.
- ‘‘Platoon’’ (idem), 1986. Direção de Oliver Stone.

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